Mafalda - Humor de Quino - Desenhistas espanhois: Victor de La Fuente - Li'l Abner - Spirit - Dick Tracy - Mordillo
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Mafalda - Quino - Li'l Abner - Dick Tracy - Corto Maltese
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ANATOMIA PARA QUADRINHOS...
O grande desenhista brasileiro, SEBASTIÃO SEABRA, parou de lecionar em classe, mas está testando um método de ensino online. Na verdade, é o mesmo método que ele havia desenvolvido e ministrado há anos em seu Curso de Desenho.
Anatomia para quadrinhos, sobre o livro "BRIDGMAN'S - Complete Guide to Drawing from Life", de George Bridgman. Neste curso ele adotou o livro de desenho do Bridgman, um dos mais indicados para quem quer aprender anatomia para quadrinhos. Ele não gasta muito tempo com esqueleto humano, e vai direto ao assunto, figuras, formas, movimento, músculos, etc. Não que esqueleto não seja importante. É. Só que a maioria dos alunos foge disso como o diabo foge da cruz.
Cada aula é um "pacote" de cinco prints das páginas do livro do Bridgman, mais cinco páginas A4 esboçadas por ele, numa releitura destas páginas do Bridgman. Seabra envia tudo via correio. O aluno define os esboços observando as páginas originais do Bridgman. Finaliza, escaneia e manda pra ele as cinco páginas feitas via email. Seabra corrige e devolve via email. O aluno corrige no original à lápis. Dúvidas ou perguntas o aluno faz aos sábados à tarde, via MSN, ou via email.
Nesse curso o aluno paga por aula. O aluno faz as aulas no tempo que quiser. Depende só do aluno. E quando for do interesse dele, faz uma segunda aula, e assim por diante. É como se o aluno tivesse aula em algum lugar, mas é ele quem decide se irá ter uma, duas ou mais aulas por mês.
Por que acho importante que o aluno trabalhe sobre meus lápis e não sobre algum impresso com o mesmo teor?
Porque acho vital para uma assimilação rápida que o aluno trabalhe sobre um lápis vivo, tomando contato com a maneira que um profissional esboce e podendo fazer modificações ligeiras ou não.
Por que o professor faz as correções numa cópia escaneada das lições?
Porque o original a lápis deve ficar em poder do aluno, para que ele - de posse das correções - o corrija posteriormente.
Os interessados escrevam para seu email: QUAL CURSO?
Anatomia para quadrinhos, sobre o livro "BRIDGMAN'S - Complete Guide to Drawing from Life", de George Bridgman. Neste curso ele adotou o livro de desenho do Bridgman, um dos mais indicados para quem quer aprender anatomia para quadrinhos. Ele não gasta muito tempo com esqueleto humano, e vai direto ao assunto, figuras, formas, movimento, músculos, etc. Não que esqueleto não seja importante. É. Só que a maioria dos alunos foge disso como o diabo foge da cruz.
COMO É O CURSO?
Cada aula é um "pacote" de cinco prints das páginas do livro do Bridgman, mais cinco páginas A4 esboçadas por ele, numa releitura destas páginas do Bridgman. Seabra envia tudo via correio. O aluno define os esboços observando as páginas originais do Bridgman. Finaliza, escaneia e manda pra ele as cinco páginas feitas via email. Seabra corrige e devolve via email. O aluno corrige no original à lápis. Dúvidas ou perguntas o aluno faz aos sábados à tarde, via MSN, ou via email.
QUANTO É O CURSO E QUANTO TEMPO LEVA?
Nesse curso o aluno paga por aula. O aluno faz as aulas no tempo que quiser. Depende só do aluno. E quando for do interesse dele, faz uma segunda aula, e assim por diante. É como se o aluno tivesse aula em algum lugar, mas é ele quem decide se irá ter uma, duas ou mais aulas por mês.
PERGUNTAS E RESPOSTAS:
(Nas palavras do próprio Seabra)
(Nas palavras do próprio Seabra)
Por que acho importante que o aluno trabalhe sobre meus lápis e não sobre algum impresso com o mesmo teor?
Porque acho vital para uma assimilação rápida que o aluno trabalhe sobre um lápis vivo, tomando contato com a maneira que um profissional esboce e podendo fazer modificações ligeiras ou não.
Por que o professor faz as correções numa cópia escaneada das lições?
Porque o original a lápis deve ficar em poder do aluno, para que ele - de posse das correções - o corrija posteriormente.
seabradesenhista@yahoo.com.br
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Mafalda - Quino - Li'l Abner - Mordillo - Francisco Macian - Kerry Drake
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Mafalda - Quino - Li'l Abner - Mordillo - Guido Crepax
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CARLOS GIMENEZ - O WILL EISNER ESPANHOL
Carlos Gimenez nasceu no dia 16 de março de 1941 no bairro Embajadores de Madri, dois anos depois de terminar a guerra. Seu pai, Vicente, era um homem de Temelloso que havia ido a Madri para montar uma oficina de solda, junto com outros sócios.
Vicente morreu muito jovem, quando Gimenez tinha pouco mais de um ano de idade, deixando viúva e três filhos: Vicente, Antonio e Carlos.
Nas ruas de Lavapiés, Gimenez crescia. Esta etapa de sua vida foi breve e se viu truncada pela enfermidade de sua mãe, que contraiu tuberculose. Foi transferida de hospital a hospital, e Carlos e seu irmão do meio foram enviados a diferentes colégios de auxílio social, já que tinham idades diferentes. O irmão mais velho foi acolhido por parentes em Temelloso.
Assim começou para Carlos um longo intinerário de colégio em colégio. Primeiro em Madri, Hogar Bibona e Colégio General Mola, depois Batalla del Jarama, em Paracuellos, e Garcia Morato, em Barajas. Aquele menino de apenas cinco anos permanecia alheio e indiferente do que seria o resto de sua infância. Anos difíceis, cheios de brincadeiras terríveis, carregadas de cenas de medo, castigos atrozes, suportando um forte fanatismo religioso, fome e frio.
No meio de tudo isto, aquele menino começava a viver e entender a vida. Utilizava os meios a seu alcance para conseguir a confiança de algumas professoras, utilizava seus dons artísticos como moeda de troca. Fazia desenhos para algumas professoras decorarem os armários e com isso se livrava de rezar alguns rosários ou de assistir algumas aulas e de muitas horas de instrução militar.
De alguma maneira ia desenvolvendo a idéia do desenho como meio de vida. Gimenez volta seus sonhos e suas ânsias de menino nas histórias de "El Cachorro". Julga ser o personagem Iranzo, copia as histórias, as aprende de memória e promete a sí mesmo ser desenhista.
Ao sair do auxílio social, leva com ele uma infância pobre e triste, além de um tremendo vazio cultural que somente supriria muitos anos depois. Volta para casa, aos 14 anos, na idade de trabalhar junto com sua mãe, uma mulher doente e fatigada, que morreria anos depois. A casa de Gimenez se transformou em uma hospedaria. Não podia ser de outro modo, precisava sobreviver de alguma maneira. A década de 50 estava ainda marcada pela grande crise econômica gerada pela guerra civil.
A saída do auxílio social foi o encontro com a ternura que lhe havia sido negada e que agora sua mãe lhe proporcionava em grandes doses. O encontro com as ruas, o reencontro com velhos amigos. Segue seu longo aprendizado pelos bairros de Madri, e ainda lhe sobra tempo para um emprego. Começou a trabalhar como aprendiz em uma oficina de decoração de porcelana.
Ser o menino de recado e andar pela Madri desconhecida foi difícil para quem havia passado a maior parte de sua infância trancafiado entre quatro muros. Era um pouco aprendiz de tudo. Aprendiz da vida, das ruas, do mundo adulto, do primeiro amor platônico...
O sonho dos quadrinhos continuava vivo nele. Iranzo e El Cachorro haviam dado espaço a Ambrós e ao Capitán Trueno. Nas horas livres ficava desenhando seus piratas, perdido na magia de sua imaginação.
Um dia surgiu a oportunidade de conhecer López Blanco, sem suspeitar que aquele encontro seria o primeiro passo para ingressar em uma nova profissão. Aquele encontro com López Blanco, aos dezessete anos, foi cheio de emoção e magia. Começou como ajudante de López, fazendo fundos, apagando algum balão ou elemento da paisagem e as vezes passando tinta em alguns desenhos, aos quais Blanco dava o toque final.
PRIMEIRO CONTATO COM A PROFISSÃO
López Blanco foi para Gimenez um grande acontecimento. Depois de ficar como seu ajudante por mais de um ano, surge uma vaga de trabalho na Ibergraf e o jovem Gimenez começa a ilustrar uma página de "Curiosidades", onde mostra algumas piadas e até mesmo casos insólitos, que ele pesquisava em enciclopédias. A etapa de aprendizagem é longa e ele passa por José Carlos Garcia, Pepe Garcia, Pizarro, Manuel Zatarain e outros mais.
Na Ibergrafo obtem o trabalho de realizar a tira "Drake & Drake", que é obrigado a deixar pouco tempo depois, deixando de lado um trabalho que lhe era muito bem remunerado para a época. Depois disso não fica muito tempo na Ibergraf. É o final de uma época e o início de outra.
O passo seguinte aconteceu seguindo uma proposta de Esteban Maroto de formar um estúdio. Seria o primeiro em uma série de estúdios que, com distintos companheiros, fariam parte da vida de Gimenez, enriquecendo-o com mil experiências. O estúdio de Manzanares acolhe Maroto, Gimenez e a um tal Adolfo Usero, boêmio que haviam encontrado perambulando pelas ruas de Madri.
Gimenez cria algumas histórias de guerra para a Editorial Maga que em pouco tempo são recusadas por sua pouca qualidade. Em seguida, para uma agência de Barcelona, cria as aventuras de um sherife chamado "Buck Jones", que não mostrava nada de novo.
A vida militar chega para Gimenez, tendo "Gringo" nas mãos. Quem sabe essa teria sido a primeira vez que seu trabalho tenha lhe permitido um pouco de satisfação. Aprendeu os truques da profissão, o desenho é mais solto e tem uma relativa liberdade na produção do personagem.
SUA PRIMEIRA SÉRIE
O oeste de "Gringo" entra de cheio no mundo particular de Gimenez. O personagem foi editado em mais de 20 países sem que o autor soubesse.
Segundo conta o próprio Gimenez, ele foi um soldado indisciplinado e que durante o último mês no serviço militar o chamavam de "o prisioneiro" por suas frequentes visitas ao calabouço. A vida militar era a repetição de velhos clichês do auxílio social. Desta forma, sua vida militar não deve ter sido muito dura. No seu dia-a-dia encontrava tempo para desenhar "Gringo". E voltou a usar o desenho como válvula de escape, um meio para conseguir as coisas e até conseguir um cargo na seção de desenho no Departamento de Comunicação.
Recebe baixa aos 23 anos e se casa com Meli. Se casa sem ter nada. A vida se tornou consideravelmente mais difícil nos anos seguintes. Foram anos que as vezes faltava até mesmo comida. Com o tempo nasce o seu primeiro filho e as necessidades se multiplicam. O trabalho com "Gringo" continua e enquanto o herói do far-west sai feliz de todas as situações, seu autor naufraga no apuro da subexistência.
Gimenez decide produzir simultaneamente ao trabalho histórias românticas de 64 páginas, que custam lágrimas para serem realizadas. O dinheiro da Seleciones Ilustradas sempre atrasava e as vezes tinha que ir até Barcelona para cobrar e melhorar a situação.
A partir de então, Barcelona começa a tornar-se uma meta imprescindível. O ambiente e as oportunidades de trabalho atraem Gimenez, que decide que para comer tem que estar na cozinha. Gimenez realiza uma "escapada" solitária. Passa a morar em uma pensão, um péssimo lugar, mas por pouco tempo. Ali conhece vários desenhistas da Seleciones Ilustradas, que um belo dia resolvem fazer trabalhos comuns para pagar as despesas da pensão, até que um grupo decide deixar o local e alugar um pequeno chalé.
Estes anos cheios de piadas e vivências foram importantes para Gimenez, em um momento que um lado da vida espanhola começava a experimentar uma mudança radical. Os anos 70 haviam aberto uma possibilidade de vida que o grupo de desenhistas iriam se expressar ao máximo. O estilo de vida de Gimenez e seus companheiros era anárquico, informal, despreocupado, aberto a novas correntes, disposto a absorver tudo quanto a vida punha a seu alcance.
Foi uma época na qual Gimenez, que já tinha um filho, Raul, preencheu o vazio cultural que lhe havia deixado o auxílio social. A literatura ocupa um lugar importante. Garcia Lorca, Miguel Hernandez, Leon Felipe e uma longa lista de autores dos mais variados passam de mão em mão no chalé. Havia tempo para o trabalho, para a diversão e para conversas apaixonadas onde se questionavam os valores de sempre.
As histórias em quadrinhos na europa sofria mudanças radicais e pela primeira vez alguns profissionais espanhois pensam nele como um meio de comunicação, mas já era o suficiente para sentí-la como um meio de expressão do artista e usá-la como o primeiro embrião de muitas inquietudes.
Gimenez começa a ter consciencia de que estava metido em um campo onde o desenhista era explorado e seu trabalho comercializado e manipulado sem o mínimo respeito. Não havia mais direitos do que obrigações do desenhista. Anos depois, com o surgimento da revista "Bang!", a consciencia profissional de Gimenez iria se abrir ao que seria, a partir de então, uma luta constante.
As mudanças sofridas nos quadrinhos durante os últimos anos, as novas tendências, agitam o espírito inquieto de Gimenez em busca de novas expressões. O campo da experimentação o tenta. Abandona "Gringo" depois de muito tempo trabalhando com ele e entra com ilusão a um novo "invento" de Toutain chamado "Delta 99", com roteiros de Flores Thies, histórias policiais de um herói ruivo extraterrestre.
Enquanto isso, produziu algumas histórias cômicas, "Tom Berry" e "Kiro 2000". Trabalhos feitos para editoras da alemanha, que pelo menos lhe proporcionavam a satisfação de fazer trabalhos no gênero que lhe agradava.
Instalado definitivamente em Barcelona, Gimenez teve outro filho, Carlos. Durante uma doença pulmonar, que o faz se sentir totalmente deprimido, volta-se para sua primeira grande série, "Dani Futuro".
Este personagem, criado exclusivamente para a nova fase da Gacete Junior, logo de cara encontra problemas. A editora vende o personagem aos Belgas sem consultar seus autores, Victor Mora e Carlos Gimenez. A série foi cancelada na Espanha e mais tarde continuada na Bélgica.
O contato com Victor Mora é importante para GImenez no que se refere à possibilidade de trabalhar com roteiristas que conhecem bem o meio que trabalham.
"Dani Futuro" significa para Gimenez a grande oportunidade. Com a realização desta série, que continuou durante vários anos, pôde fazer suas montagens e técnicas, flash-backs e outros efeitos narrativos.
Como desenhista e criador, Gimenez começava a se soltar dos roteiros, a não seguir ao pé da letra as instruções deles, e a introduzir soluções gráficas que faziam de Dani Futuro uma obra atual. Suas inquietudes narrativas finalmente saiam à luz. Inquietude que tambem o levaram a realizar, na mesma época, e com roteiro próprio, o excelente "El Miserere", "El Mensajere" e "El Extrano Caso del Sr. Valdemar".
Os problemas legais com Dani Futuro levaram Mora e Gimenez a criação esporádica de personagens que não eram mais que um passatempo até a solução dos problemas: "Ray 25" e "Iris de Andromenda".
A partir dessa época a vida profissional de Gimenez começava a articular por tantos caminhos que estava complicado seguir em uma só direção.
Chegamos ao momento em que Luiz Garcia, Adolfo Usero e Carlos Gimenez se reunem em um estúdio em Premiá e com o nome comum de "Premiá 3" fizeram uma adaptação de "Las Isla del Tesoro" e um episódio de "Los 4 Amicos", com roteiro de Mariano Hispano. Como em quase todos os trabalhos que havia tomado parte com outros companheiros, Gimenez se encarrega de rascunhar as páginas, distribuir espaços e colocar os personagens.
Mas as necessidades expressivas de Gimenez cresciam constantemente, as inquietudes se sucediam. Inquieto, nao deixou de buscar novos caminhos. São os últimos anos do "franquismo", o regime militar cambaleia a olhos vistos e o momento coincide com a necessidade de encontrar uma revista onde pudessem ter um lugar para aquela história adulta que vinha sendo um desejo constante insatisfeito.
BANDERA NEGRA não chegou a sair no mercado, mas Gimenez (que acabara conhecendo alguns contos de Brian Aldiss, um fragmento que lhe transmite potentes sugestões usuais, e cria "Hom"), fez várias histórias com diferentes roteiristas para "El Papus", de humor e política.
Essas histórias foram mais tarde publicadas em álbuns: "Espana Libre", "Espana Una..." e Espana, Grande". Chegam a seu fim. Gimenez considera o tema esgotado e se volta novamente às suas próprias experiências e a devoção crítica de uma época da Espanha, a dos anos 50.
Carlos Gimenez produz histórias de "Paracuellos" para a revista "Muchas Gracias", e quando esta as recusa, para El Papus (onde não chegam a ser publicadas) e para a revista Yves, da Ediciones Amaika. Em 1977 a Amaika publica este material em formato album com o título "Paracuellos"
Outra nova série, "Barrio", foi publicada na El Papus, onde Gimenez não se sente feliz porque a revista mudou totalmente desde o regime facista. Gimenez narra nelas seu encontro com a vida real, com seu bairro, ao sair, adolescente, do serviço de auxílio social.
Mas o boom dos quadrinhos estava chegando. Franco havia morrido, uma incipiente democracia acaba com a censura, começam a surgir no mercado uma rica quantidade de quadrinhos, sobretudo material europeu, que haviam permanecidas inéditas na Espanha. Invadem o país com seu estilo absolutamente novo e inovador. Moebius, Bilal, Hugo Pratt, Meziéres, Corben, Lauzier, Bretcher, Guido Crepax e as figuras do underground norte-americano encabeçado por Crumb, são alguns dos nomes que Gimenez sonha.
Com a criação de várias revistas (Totem, 1984, El Víbora, Comix Internacional, etc), os desenhistas espanhois veem a possibilidade de publicar de maneira contínua em seu próprio país. E além de tudo, com argumentos e desenhos novos.
"Paracuellos" faz um enorme sucesso, inclusive fora da Espanha, e isso anima Gimenez a continuar por esse caminho autobiográfico. O garoto de "Barrio" cresce e se transforma em um jovem profissional dos quadrinhos que chega a Barcelona para trabalhar no estúdio da Creaciones Ilustradas.
Em 1982 nasce "Los Profesionales", que vem à luz na primeira edição da revista Rambla, que havia sido criada por um grupo de profissionais (Bea, Garcia, Usero, Font e o próprio Gimenez) sob a cobertura editorial de Roberto Rocca, o editor da revista Totem.
Gimenez volta a Madri em 1983. Os primeiros dias de seu regresso são mais para viver do que para trabalhar, mas continua com "Los Profissionales" e algumas histórias avulsas.
O amor, em meados dos anos oitenta, o tema que mais lhe interessa. Vão nascendo os "Romances de andar por casa". Só a história de um "Bandollero", Juan Caballero, o faz sair de sua linha. Viaja a Cordoba para fazer pesquisas sobre o tema dos bandidos espanhois do século passado, que sempre lhe interessou. No ano de 1987 ele lança a obra pela ediciones de La Torre, e na França pela Dargaud.
Em 1989 nasce Pablo, o primeiro filho de seu relacionamento com Ana Salado. Em Madri Gimenez trabalha sozinho. Não tem condições de criar um estúdio com outros desenhistas. Também o boom dos quadrinhos ficou há muito tempo para trás. Junto com os trabalhos de quadrinhos, mais para a França do que para a Espanha, Gimenez realiza outros tipos de trabalho, para publicidade, para instituições técnicas.
Um novo jornal de Barcelona, "El Observador", encomenda a ele uma tira dária. Ele produz "Sabor a Menta" e mais tarde "La Ley". Mas Gimenez já tem em mente uma nova série, "Histórias de Sexe y Chapuza", histórias em torno de seis páginas onde foca o humor e senso crítico, o mal que nós causamos nas relações sentimentais. Na França elas foram publicadas na revista Fluido Glacial e na Espanha a Editora Toutain as publicou em sua Comix Internacional. É a série com maior produção de Gimenez, seis álbuns até o momento.
Mas nosso autor ama a aventura, os grandes e exóticos cenários, a ação, o desenho em definitivo. Começa a trabalhar em "Jonás", a história de um menino normal, neto de um engenheiro na África, que ao ir a seu encontro se vê envolvido em uma série de aventuras. Uma história para todos os públicos no qual ficou envolvido até o ano 2000.
Em 1993 é o cinema que lhe proporciona um trabalho, pois fica encarregado de produzir o story-board do filme "Mar de Luna". Continua com suas colaborações para a publicidade, enquanto vai reeditando pouco a pouco seus antigos trabalhos, já que se encontravam esgotados no mercado. Em 96, na Semana Negra de Gijón, realiza uma edição de Delta 99. Estava participando do evento quando recebeu um aviso importante: o nascimento de duas filhas gêmeas, Angela e Lúcia.
Na Comics Forum, em 98, a editora dirigida por Antonio Martin, reedita Dani Futuro, e as Edições B cria, como suplemento de humor da revista "Interviú" "As Barricadas", na qual Gimenez ilustra a última página com uma história na qual relembra velhas situações de outra época. Mas a revista dura muito pouco, apenas dois meses.
Em 1999, Gimenez decide retomar "Paracuellos", uma idéia que vinha sustentando há muito tempo. Escreve e desenha o terceiro álbum da série, mais de 20 anos depois de sua criação. Transformado em um clássico, o álbum é recebido pelo público e pela crítica como um álbum de mestre. Recebe o prêmio do Salão Internacional de Barcelona, o Grande Prêmio de Madrid e outros.



