quinta-feira, junho 03, 2010

UM POUCO DE TUDO - O RETORNO

PORTAL ZINE #65
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. Uncle Sam
. Sheena e as tarzanas
. Archie O'Toole
. Lance O'Casey
. A Ebal de Adolfo Aizen
. E muito mais!


DAVID MAZUCCHELLI
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David John Mazzucchelli nasceu em 24 de setembro de 1960 em Providence (EUA). Criado em uma família de orígem italiana - da cidade de Carrara -, cresceu fascinado pela série televisiva BATMAN, e foi leitor de quadrinhos - Marvel - desde menino. Essas leituras despertaram uma inquietante vontade de trabalhar no meio, que desapareceria aos 11 anos, época em que perdeu o interesse pelos quadrinhos para se concentrar na pintura e na ilustração, disciplinas as quais havia se dedicado desde menino.

Aos 18 anos matriculou-se na Rhode Island School of Design para estudar pintura, onde se formou. Foi precisamente na universidade que redescobriu os quadrinhos de super-heróis através de seu companheiro de quarto. Uma nova década se iniciava e um jovem chamdo Frank Miller começava a chamar a atenção do público e da crítica com seu trabalho na revista DEMOLIDOR.

Ainda como estudante, David enviou um portfólio amador para a Marvel (em outra ocasião fez o mesmo para a DC, desta vez com o personagem Batman), mas teria que esperar até acabar os estudos de arte para começar a trabalhar na editora, fazendo o n° 121 de Master of Kung Fu (fevereiro de 1983), que foi arte-finalizado por Vince Coletta. Nem autor e nem editora ficaram satisfeitos com o resultado e seriam necessários mais um ano até que o desenhista e arte-finalista voltasem a se encontrar em The Further Adventures of Indiana Jones n° 14. Desta vez a experiência resultou mais positiva e a Marvel o encarregou nesse mesmo ano de fazer um número de Star Wars, desta vez sob a arte-final mais experiente do veterano Tom Palmer. Também fez a edição de Marvel Team-Up Anual n° 7, arte-finalizada por Bret Breeding, antes de ser aceito como desenhista regular de Demolidor. Decidido a desenhar o título, Mazzucchelli havia apresentado várias amostras do personagem, enquanto fazia os trabalhos mencionados, e o editor da série, Bob Budiansky, resolveu incorporá-lo à série a partir da edição n° 206 (Maio de 1984).

David ficou no título por três anos, nos quais realizou um total de 25 edições, que o colocou, junto com Gene Colan e Frank Miller, em um dos desenhistas com mais permanencia na série. Durante este período, o desenho de Mazzucchelli sofreria uma constante evolução, se bem que esta foi um tanto prejudicada pelo trabalho dos arte-finalistas, dedicados, porém pouco compatíveis com se estilo, como Danny Bullandi, Pat Redding ou Dennis Jake. Esta evolução se acelerou a partir do momento em que começou a arte-finalizar ele mesmo (n° 214), mostrando um traço herdado dos quadrinhos clássicos de séries como as de Alex Toth ou Chester Gould, que explodiria de vez com o retorno de Miller aos roteiros, substituindo o correto mas pouco emocionante Denny O'Neil.

1986, foi o ano em que Alan Moore apresentou Watchmen, enquanto Miller fez o mesmo com "Batman, The Dark Knights Return". Neste contexto, o desenhista e roteirista decidiu voltar ao personagem que o havia levado a fama para submetê-lo a um similar processo de queda e ressurreição.

Miller estava em plena forma e ofereceu a Mazzucchelli uma trama dura que maltrata o personagem, oferecendo a oportunidade de deixar o desenhar figuras de super-heróis para entrar nos escuros cenários da periferia urbana que seriam sua marca registrada daí em diante. Miller lhe proporcionou também uma forte carga simbólica, que este aproveitou para dar asas às suas inquietudes pictóricas.

Após sete edições (227 a 233), e fechando o arco argumental, roteirista e desenhista abandonaram o título, com Mazzucchelli se transformando na revelação do momento.

Depois do sucesso de "Born Again" e aproveitando o fim de seu contrato com a Marvel, Mazzucchelli emigrou para a concorrente DC Comics, onde voltou a formar equipe com Miller para reformar a orígem de Batman em "Batman: Year One" (novembro de 1986 - fevereiro de 1987). O enfoque realista e igualmente urbano de Miller permitiu ao desenhista criar um mundo que buscaria no grafismo dos quadrinhos clássicos de detetives, mais à Gene Colan até Gould ou Eisner.

O impacto no público foi imediato. Year One se transformou em uma história canônica de Batman e Mazzucchelli e em um mestre aos 27 anos. Depois disso, sua despedida do terreno dos super-heróis se deu através dos trabalhos pontuais em X-Factor n° 16 (1987) e Marvel Fanfare n° 40 (1988), escrita por Ann Nocenti.


O que para muitos leitores seria um afastamento, uma curiosidade rara, na verdade seria uma demonstração sobre os interesses do autor de seguir o expressionismo com sua obra. O mesmo poderia se dizer sobre sua carreira: o desenhista de séries regulares dos anos 80 se transformou em um artista iconoclasta cuja produção seria difícil de continuar, não parando em um mesmo lugar por muito tempo. Ainda cansado pelo esforço realizado para terminar Year One, David decide respirar um pouco se afastando dos super-heróis e dos quadrinhos. Batman e Demolidor haviam lhe proporcionado uma certa estabilidade econômica e formou um grupo musical com o qual se apresentou em diversos locais de Nova York durante um ano, dedicando-se também a fazer música comercial para a televisão.


MUCHACHO - VOLUME 1
EM PORTUGUÊS!!!!!
O que a gente não faz pelos quadrinhos?
Vários amigos reclamam que não conseguem entender com facilidade o idioma espanhol. Tenho postado muita coisa nesse idioma, já que esse material pouco provavelmente será publicado por aqui. É interessante também salientar que existe um grande número de visitantes de países que falam essa língua e estes posts servem para agradá-los também.
Quando lí MUCHACHO, fiquei tão fascinado com a arte e com o roteiro que achei por bem tentar traduzí-lo e disponibilizar aqui a edição em português. Quero deixar claro que não tenho curso de espanhol e muito menos fiz outras diagramações anteriormente. MUCHACHO é minha estréia como tradutor e diagramador. Se agradar, irei traduzir o segundo volume. Aguardo comentários.
PC Castilho

Link da edição em português:
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TARZAN
A ORIGEM DO HOMEM-MACACO E OUTRAS HISTÓRIAS
DEVIR - R$ 49,00
Já recebi o meu exemplar e posso garantir que é uma belissima edição. O papel e as cores estão impecáveis, lembrando muito os saudosos tempos da nossa querida EBAL. A única falha editorial, no meu ponto de vista, foi a edição não ter saido com capa dura.
Se você ainda não adquiriu seu exemplar, não perca tempo. Vale cada centavo aplicado.




BRUNE

1933, as trevas caem sobre a Alemanha. Levadas pelo turbilhão da nova ordem, Nina e Werner tentam desesperadamente sobreviver. Mais que uma história em quadrinhos, BRUNE é uma epopéia, um verdadeiro romance gráfico de um dos mais talentosos desenhistas da atualidade. Confira.

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O PROBLEMA DA DISTRIBUIÇÃO


Todo mundo (leitores/editores) sabem muito bem que um dos maiores problemas das revistas aqui em nosso país é a distribuição, que quando não é mal feita, demora muito (mas muito mesmo) a chegar em determinadas regiões.

Uma solução simples e bem viável seria a VENDA DIRETA das editoras aos leitores. Os Correios prestam um bom serviço de entrega e atingem os municípios mais distantes deste nosso imenso território.

As editoras poderiam criar um departamento (onde não seria necessário mais que dois ou três funcionários) onde atenderiam os leitores interessados, vendendo inclusive edições antigas (o que seria uma boa saída para o encalhe).

Pouca pessoas sabem, mas algumas revistas quando distribuidas em determinadas regiões e que são devolvidas pelos jornaleiros ao distribuidor, costumam não voltar para as editoras e são vendidas nessas cidades como "encalhe" por valores irrisórios (eu mesmo compro edições de uma determinada revista" que custa R$ 14,90 por R$ 4,00... e a fonte vendedora alega ainda ter lucro sobre esse encalhe). Alegam que o transporte de tal material seria muito dispendioso e causariam prejuízos para as editoras.

Outra coisa que poucos sabem são as porcentagens de lucro que cada empresa envolvida ganha no serviço de transporte, distribuição e venda. Posso afirmar que os jornaleiros ganham em torno de 25% do preço de capa (não consegui levantar o índice dos distribuidores).

Moral da história: não adianta as editoras abrirem um serviço de venda direta ao leitor e querer cobrar o valor de capa. Se estão vendendo diretamente ao leitor, podem dar um desconto, uma vez não terão que pagar as taxas que pagariam pela venda em bancas. É claro que esse desconto poderia ser negociado, por exemplo, nas despesas de envio.

Se a distribuição está sendo um problema, é preciso repensar. Não é justo que um SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO que já dura décadas não evolua. A venda de revistas tem caido e essas falhas não deixam de contibuir para que isso aconteça.

Paulo Castilho



NAS BANCAS
TEX #485 e 486
Editora Mythos - revista mensal
TEX continua sendo a revista mais vendida no mercado brasileiro e é também um dos títulos mais antigos (já se aproxima da edição 500!!).
É bom chamar a atenção para a fase atual, onde novos desenhistas estão sendo apresentados, entre eles o excelente Mastantuono (pra mim o melhor desenhista do personagem na atualidade). Outra coisa que me agrada muito é que Boselli tem escrito cada vez mais os roteiros das histórias substituindo Claudio Nizzi, que na minha opinião já estava se tornando un tanto repetitivo, muito preso a "fórmulas" antigas e ultrapassadas. Os novos artistas (desenhistas e argumentistas) estão dando uma espécie de sangue novo ao personagem. "Os Dois Espiões" (485) e "Acerto de Contas" (486) é um excelente exemplo do que estou falando.
Se você ainda não conhece o personagem ou se é um antigo leitor, que parou de ler as histórias do ranger, dê um pulo na banca mais próxima e confira ao que estou te dizendo.
Além disso, TEX ainda tem um preço bem acessível ao nosso bolso.



COSECHA VERDE

Desde o final de 1989 até o verão de 91, Trillo e Mandrafina inventaram os sucessivos episódios desta maravilhosa história que foram publicadas na revista PUERITAS. Mesmo antes, nos anos 70, haviam trabalhado muito bem juntos e foi com COSECHA VERDE que conseguiram sus obra-prima definitiva.

Domingo Mandrafina nasceu em 1943, em Buenos Aires. Se formou nos anos 60 sob a influência de Alberto Breccia, foi colaborador de Angel Fernandez e desenhou muitas histórias para as revistas da Editorial Columba. Ali criou, com roteiros de Robin Wood, o inesquecível Savarese. Em meados dos anos 70, realizou a saga El Condenado. Com Carlos Trillo, já nos anos 80, Ulises Boedo e Pinon Fijo; Metrocarguero junto com Enrique Breccia. Atualmente desenha preferencialmente para o exterior e este COSECHA VERDE é um exemplo do melhor de sua produção nos últimos anos.

Carlos Trillo também nasceu em Buenos Aires em 1943. Participou das revistas Satiricon e Mengano nos anos 70 e criou com Horacio Altuna El Loco Chavez. A partir de então passou a ser um dos mais importantes e prolífico roteiristas argentino de quadrinhos. Ganhador de numerosos prêmios internacionais, tem formado dupla criativa com Altuna (Las Pueritas del Senor Chavez, El Ultimo Recreo), Enrique Breccia (Alvar Mayor, Marco Mono), Mandrafina (Peter Kampf, Cosecha Verde), Jordi Bernet (CUster, Light & Boldt) e nos últimos anos Carlos Meglia, com quem criou Cybersix.

FLASH GORDON #57
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DAX, EL GUERRERO
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ESTEBAN MAROTO

Desenhista de sofisticada estilização, interessado pela Fantasia com certa presença de erotismo, que popularizou com a arte de suas histórias no início dos anos 70. Famoso por seus trabalhos de ficção-científica (5 por Infinito) e na fantasia erótica, com personagens como Dax, Wolff, Red Sonja e Conan. Entrou para os quadrinhos em meados dos anos 50, Maroto cresceu como desenhista em Madri no estúdio de López Blanco.Participou de coleções como "Aventuras do F.B.I.", "El Principe de Rodas", sempre como ajudante ou junto a outros. Desde 1963, começou a trabalhar para o exterior através de agências depois de se fixar em Barcelona, integrado ao estúdio seleções ilustradas. Trabalo para o mercado estrangeiro, principalmente alemanha, onde publicou em revistas juvenis como Lasso, Roy Tiger (algumas destas histórias, da série chamada "Alex, Khan y Khamar", Maroto fez junto a outros desenhistas e foi publicada na espanha pela editora Erudit no final dos anos 60, na coleção Aventuras en la Selva), Primo (onde desenhou a singular série Capitão Terror, com roteiros de P. Weichmann e com o pseudônimo de Ramon Sola).

DOSSIER NEGRO ESPECIAL
ESTEBAN MAROTO
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Durante os anos sessenta trabalhou em histórias de aventuras e fantasia, mas também em histórias romanticas, devido a sua grande capacidade de desenhar a figura feminina, que fazia com muita delicadeza. Para revistas do Reino Unido desenhou a maior parte de suas histórias romanticas, começando por Boyfriend, em 1966, e continuando por toda a década em outros títulos: Mirabelle, Jackie, Valentine, Diana e Romeo. Deixou de desenhar esse tipo de argumento em 1977 (em Oh Boy), pois desde 1965 tinha vontade de se destacar como desenhista de fantasia. Naquele ano fez a série 5 x Infinito (com a ajuda de um grupo de artistas conhecidos como Grupo da Floresta para fazer os fundos e alguns personagens nas primeira quatro edições) que a Agência Si destinou ao mercado internacional (nos EUA saiu primeiro a edição mexicana com o título Legionários do Espaço) e no mercado nacional, onde foi publicada na revista Delta 99, da IMDE, Drácula, da Buru Lan, e em seguida em álbum próprio pela Ursus. Graças a essa obra Maroto obteve reconhecimento como desenhista nos EUA (melhor desenhista estrangeiro pela Academy of Comic Book Arts em 1971) numa época em que esse reconhecimento foi mais importante para os editores e críticos que sua qualidade como quadrinhista, em função da importância que era dada ao "americano" na Espanha. Maroto também fez parte do grupo de desenhistas que desenharam para as revistas de terror da Warren Publishing, trabalhando em roteiros com argumentos fantásticos.Interessado pelo gênero fantasia heróica, criou várias histórias nas quais o desenhista ensaiava novos modos de narrativa, mais experimentais nos desenhos. Um deles foi WOLFF, que apareceu na revista DRÁCULA da editora Buru Lan em 1971. Outro guerreiro pioneiro foi chamado MANLY, que foi publicado em um suplemento do Diário Pueblo, que logo seria rebatizado de DAX THA WARRIOR para sua publicação nos EUA, pela Warren. KORSAR, completando a leva de bárbaros dessa época,obra que Maroto fez para a revista PIP da alemanha.

KORSAR
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A composição gráfica e a experimentação nas composições de páginas que Maroto desenvolveu nestas séries (figuras estilizadas segundo os entendidos acadêmicos, equilibrio de vazios e massas negra nas páginas, técnicas de hachuras, etc) lhe valeram o reconhecimento definitivo do público americano.



STEVE DITKO
STRANGE AVENGING TALES
(Relatos Estranhos de Vingança)
- em espanhol-
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O Ultraindividualista e reservado Ditko foi editado por Groth numa antologia de histórias cyrtas em preto e branco que nos remete a velhas antologias de terror moralistas, com menos sangue, uma atmosfera mais onírica e com especial carga na moral, mas não uma moral como a dos velhos quadrinhos da EC, mas sim uma certa política conservadora e autêntica obsessão de mostrar ao indivíduo sobre a sociedade, mas também com uma clara visão do mundo em preto e branco, sem cores, sem a possibilidade de múltiplas interpretações. Felizmente as vezes o mundo de sonhos compensa a imoralidade simples que escapa desses casos, como se um lado imaginativo estivesse em luta constanate com seu lado racional.

Nestes trabalhos Ditko faz um trabalho totalmente artesanal: até mesmo os diálogos dos balões foram feitos a mão por ele. É um tabalho 100% autoral feito por uma pessoa que revolucionou os quadrinhos de super-heróis nos anos 60.

Mas Ditko, por bem ou por mal, sempre tem sido totalmente independente até suas últimas consequências. A prova é que abandonou a série antes que chegasse a sua segunda edição por (como de costume) desentendimentos com o editor.

Supostamente, não ficou satisfeito com a cor da capa. Mas é bem possível que na realidade se deve as últimas páginas, nas quais Groth, com vontade de agitar as águas, acrescentou uma publicidade de seu "Comics Journal" (que está traduzida neste arquivo), que burlava a imagem da "lenda reclusa" de Ditko, que sempre recusou a dar entrevistas e este nunca se destacou por seu senso de humor... pelo menos em público.

Mas são de especial interesse as entrevistas que Groth realizou com vários outros desenhistas, como Gil Kane, que dão uma certa idéia geral da impressão causada não só pelo Ditko autor, mas também o Ditko como pessoa.


HORIZONTES PERDIDOS I
JUAN ZANOTTO

(em espanhol)
http://www.mediafire.com/download.php?m2ivqm5tvm2


HORIZONTES PERDIDOS II
JUAN ZANOTTO

(em espanhol)
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SELECCIONES MARVEL HOWARD EL PATO
(em espanhol)
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HOWARD, O PATO é uma versão adulta de Donald Duck (o "nosso" Pato Donald), ainda mais rabugento do que o original, muito embora o seu universo esteja repleto de personagens que se caracterizam por serem super-heróis e não animais personificados, tendo sido transportado para o universo da Marvel por acidente, vendo-se na contingência de ter de arranjar trabalho e de, por força de alguns processos que foram movidos aos seus autores e editores pela Disney, ter de usar calças, já que um dos argumentos foi a excessiva semelhança entre as duas personagens, tendo o seu autor utilizado o subterfúgio de uma denúncia a Howard por atentado ao pudor, pelo fato de andar nu da cintura para baixo, para que a transformação ocorresse de uma forma lógica e integrada na história.

A sua aparição deu-se em Dezembro de 1973, numa revista da Marvel intitulada Fear, que apresentava aventuras do Man-Thing (Homem-Coisa), e o sucesso que obteve foi tão grande que levou os editores a publicarem uma revista com o seu nome a partir de Janeiro de 1976.

O seu autor foi Steve Gerber, tendo grande parte dos desenhos cabido a Gene Colan. A revista durou até 1979, tendo posteriormente surgido num novo formato, a preto e branco, com periodicidade bimestral, publicando-se até 1981.

Na sua primeira fase, e durante algum tempo, a série chegou a surgir igualmente em jornais, com uma tira diária, com argumentos de Gerber e desenhos de Colan. Por esta altura surgiram diversos problemas relacionados com os direitos da série, que levaram Gerber a abandoná-la, ficando os argumentos a cargo de Bill Mantlo. Howard chegou a ter uma namorada, de seu nome Beverly, que lhe granjeou alguns inimigos, também apaixonados pela jovem ruiva, e numa das histórias a personagem foi mesmo candidata à presidência dos Estados Unidos.

Alguns anos após a extinção da revista, em 1986, surge um filme de longa-metragem com o título da personagem, produzido por George Lucas e realizado por Willard Huyck, suscitando novamente algum interesse pelas suas aventuras, o que levou a Marvel a publicar uma nova revista, com argumentos de Steven Grant, o qual seria substituído após o primeiro número, e que acabaria definitivamente no número 33, ainda no mesmo ano do filme.

Nos anos seguintes, Howard surgiria apenas em algumas reedições ou em edições especiais. No entanto, foram diversos os escritores e artistas que passaram pela série, entre os quais Klaus Janson ou Roger Langridge, este último sobretudo para a publicação Duckling.


PARA LER O PATO DONALD
(LIVRO)

(em PDF)
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segunda-feira, maio 31, 2010

ENTREVISTA COM C. C. BECK - PARTE II (Final)




C. C. BECK

Adaptação de PC Castilho

E - (Risos) Isso era feito em quase todos os quadrinhos antigos.

C - Colocávamos coisas de Smith e Barney Googley, e de todas as outras histórias com as quais havíamos crescido. Daquela época saiu o estilo "nono", assim o chamavam na equipe do Capitão Marvel. Quem gosta desse estilo são os leitores de Garfield, Doonnesburry e coisas do tipo, mas os editores não gostam.


E - Acho que os editores tentam levar em consideração o mercado. Mas depende de quais e porque, por exemplo, aos editores de jornais já não lhes interessa as aventuras nem tiras realistas.

C.C. Beck (de pé), com 32 anos, comenta uma capa da Whiz Comics eom W. H. Fawcett Jr.

C - Há alguns anos fui a uma convenção em Minneapolis e conheci uma vendedor da Marvel. A infeliz passou o tempo todo tentando falar com os distribuidores, falando que queriam lançar alguma coisa de humor e os distribuidores não estavam interessados. São tão conservadores que não querem mudar nada: "Deixe como está, deixe como está, mesmo que as coisas não estejam bem, deixe como está".

E - Bem... sim, como os que se dedicam aos quadrinhos de guerra, que continuam lutando em batalhas do passado. Aqui vale a prática na frente da teoria.


C - Sim, mas agora até a Marvel tem gente nova tentando animar os negócios, tentando impor uma variedade. Na DC estão até lançando histórias de animais.


E - Agora estão empenhados em criar coisas novas. Quem me disse isso foi Joe Kubert. Um vento de ar fresco sopra por todo o setor dos quadrinhos, e acho que é muito estimulante fazer parte deste círculo. Tal e como eu vejo, a indústria se dividiu: as editoras clássicas, das quais restam apenas duas. A Harvey Publications por exemplo acaba de fechar as portas, era a única editora das antigas que fazia histórias de humor para meninos. Acho que a Archie continua funcionando.


C - Acho que nem mesmo a DC tem benefícios, mas ao estar dentro da Warner Communications, são subvencionadas pelo Superman. Se fossem independentes teriam muitos problemas.



E - Eh, não tenho dados para falar sobre isso. Tudo o que sei é o que dizem os distribuidores para bancas. Segundo eles as vendas de quadrinhos estão caindo. Mas as novas lojas de quadrinhos, que estão em plena expansão, vão muito bem. Agora mesmo tem umas três mil abertas, há quinze anos atrás elas não chegavam a cem. O que acontece é que o mercado está ditando o caminho que a industria tem que seguir, e claro, isso muda tudo.



C - Gostaria de falar algo dos anos da Guerra, de quando as vendas foram lá em cima. Capitão Marvel vendeu mais que Superman e saia a cada duas ou três semanas em uma dezena de revistas. A qualidade artística, vista agora, era bastante baixa, mas as histórias eram sempre as melhores. Segundo me informaram os fãs e os mais jovens, aquelas histórias são as que eles gostavam e as que se lembram. Não reparam na parte artística, o que lhes interessavam eram as histórias. Eu tenho uma teoria de que o público olha os desenhos com o canto dos olhos. Depois que tudo veio abaixo em 45, quando todos voltaram procurando trabalho, os quadrinhos sofreram uma grande queda porque haviam crescido demais. Os títulos foram sendo cancelados, até que só restou Pete Constanza e eu com nossa história, na qual fazíamos de tudo, menos inserir o texto. No fim já não havia trabalho para Pete, assim ficou eu e o letrista.



E - Continuavam lançando o Capitão Marvel, não publicavam outra coisa?

C - Sim, a família Marvel, Marvel Jr., Mary Marvel, além de outras coisas como Bulletman e vários outros experimentos. Pete e eu nos desdobravamos para fazer tudo isso sozinhos, a parte da qualidade era a melhor. Durante cinco anos não podíamos nos queixar, fomos felizes.

E - Não houve uma disputa entre o Capitão Marvel e o Superman?

C - Sim, a DC recorreu aos tribunais.

E - A DC levou Fawcett aos tribunais porque consideravam que eles estavam copiando Superman. Deveríamos falar um pouco dessa história, porque entre Superman e Capitão Marvel teve início o gênero dos super-heróis nos quadrinhos. É um gênero que supostamente hoje, 45 anos depois, continua vivo. Tudo que se produzia naquela época era muito importante porque foi quando se deu forma e estabeleceu o que era um super-herói com uniforme.


C - Mas antes já existia, já foi dito em juízo e em várias editoriais, Tarzan existia antes de Superman, Popeye já fazia o mesmo tipo de coisa. E se olharmos para o gênero faroeste, existia Ned Blyntune e...


E - Mas não eram super-heróis com uniformes, no sentido de homens fortes e invulneráveis a...


C - Claro que sim. Paul Bunyan e todos aqueles personagens eram o mesmo: uns caras enormes capazes de realizar as maiores proezas. E não podemos esquecer de Buffalo Bill e todos esses personagens do oeste.


E - Então quando você fazia quadrinhos era consciente de que se dedicava a esse gênero?

C - Sim, Fantasma já tinha alguns anos e usava uniforme.



E - Então, Pete e você trabalhavam dentro de um gênero literário bem estabelecido, ainda que com formato de gibi.

C - Nós seguíamos o formato típico. Tínhamos um detetive, que é a coisa mais velha do mundo, em seguida um repórter, um marinheiro com seu iate, um mágico e um do oeste, que se chamava Golden Arrow; este vaqueiro sabia até montar um cavalo de costas e esse tipo de coisa, um velho caçador de ouro o havia educado como filho. Todos estes personagens se baseavam em idéias centenárias. Veja, imagine um imperador romano passeando por um campo de trigo, de repente um servo lhe pergunta: "Senhor, como consegue manter sua posição de poder?" O imperador de repente pega seu bastão e arranca um ramo de trigo que sobressaia as demais. Sabe o que ele respondeu ao criado?: "Livrando-me dos que chegam muito alto". Assim funcionava a DC; esse era seu plano, eliminar qualquer concorrência.



E - Eu me lembro de que todas as editoras de quadrinhos estavam em guerra para poder ganhar um lugar no mercado. O que a DC fazia era proteger-se para não perder seu status. Lembro-me de que cada vez existia mais editoras e menos espaço nas bancas, e que os únicos pontos de vendas eram esses últimos e as lojas de doces.



C - Sabe qual era o principal argumento da DC? Segundo eles o Capitão Marvel parecia tanto o Superman que os próprios meninos o compravam por engano. Também diziam, claro, que todo o dinheiro que a Fawcett havia ganhado era legalmente deles (risos). Nunca admitiram que os garotos compravam o Capitão Marvel porque eles gostavam mais dele ou porque era melhor.



E - As demandas parecem ser todas iguais. Há duas fases, na primeira se determina se houve violação dos direitos, e em seguida tentam calcular os prejuízos. Não sou advogado, mas tenho alguma experiência, no fim calculam qual foi o dano causado pelo plágio (se foi isso que aconteceu). Deixe eu voltar um pouco atrás para que vejamos ao que você se dedicava, ou seja, quando o Capitão Marvel completou um ano você não se encarregava de desenhar os quadros, já dissemos que você dirigia os desenhos, desenhava as caras e colocava os personagens. Depois voltou a se encarregar de tudo novamente. Veja, o que estou tentando fazer é levar a nossa conversa até outros temas, agora me interessa saber o que você acha do mundo dos quadrinhos. Acho que eu tenho uma visão um pouco pretenciosa do meio, pra mim, os quadrinhos são uma forma de literatura artística. É uma linguagem composta de texto e imagens que cada vez obtém maior reconhecimento. Eu o chamo de arte sequencial, ainda que eu não goste desta denominação.


C - É o mesmo formato utilizado pelos fotógrafos, igual a um storyboard de qualquer filme. É também utilizado em uma infinidade de anúncios. Sempre há alguém que, vários meses antes de uma campanha de publicidade, organiza os anúncios para não criar um contra senso. O que confunde as pessoas é a denominação de quadrinhos associada a tudo isso.


E - E essa arte tem ganhado potencial? E se sim, para onde se dirige como forma de expressão?

C - Vai tomar sua posição correspondente entre as outras formas de expressão, como a pintura ou a decoração.


E - Então você vê os quadrinhos mais como arte decorativa que como uma forma de comunicação.



C - Bem... é que a comunicação, não sei... dizem que as pinturas rupestres tem significados religiosos.


E - Não concordo com isso. Eu acho que eram simples comunicação. Como uma notícia de jornal, se preferir. Quando um homem voltava a caverna, contava como havia matado aquele mastodonte ou qualquer coisa semelhante.


C - Os desenhos egípicios são puro quadrinhos. Tem balões e quadros...


E - Claro que sim, no fim acabou se transformando em linguagem, e aqui eu queria chegar. Mas, acha que pode ser mais sofisticado ou profundo ao falar desses temas?


C - Não, conscientemente não.



E - Em outras palavras, você acha que a arte chegou ao seu ponto máximo?


C - Há uma coisa que eu quero dizer, e é que os quadrinhos se encontram em um estado de evolução que corresponde ao rococó ou o barroco, e por isso se dá muita importância a história, ao roteiro. Como no Principe Valente de Hal Foster. Eu o conheci depois que se aposentou, e ele me disse que o mais difícil era encontrar boas histórias para ilustrar. Hogarth, que desenhava Tarzan nos anos 40, me disse a mesma coisa. Como dizem os diretores de cinema, tem que ter uma boa história. Os desenhistas de hoje, pessoas como Gil Kane, são melhores que você e eu juntos, desenham muito bem, mas não conseguem boas histórias. Sempre que vejo Gil Kane tenho que aguentar seus lamentos sobre a má qualidade das histórias que dão a ele.



E - E não acha que deveria começar a escrever suas próprias histórias, não se acha capaz?


C - Não, de escrevê-las e desenhá-las, não. Faltaria tempo. Para um roteirista pode demorar até dois anos para escrever uma história, um desenhista não pode ficar dois anos parados.

E - Se você faz quadrinhos...



C - Com sorte te dão três dias.


E - Sim.

C - O que Williamson, Kane e companhia tem feito com A Guerra das Galáxias e suas variantes é bom, são boas histórias. Não lí o roteiro e nem os quadrinhos, mas se contam a história do filme, é um bom argumento, isto está claro. Mas quando começam com as sequencias já é outra coisa, a história perde força e o que fazem é compensar com bons desenhos. Isso não se pode fazer, é impossível tapar as falhas de uma história com bons desenhos.


E - O que em minha opinião tem acontecido é que as editoras tem tentado compensar o público com o que chamo uma experiência sensorial, desenhos muito visuais que são verdadeiras obras de arte. Temos muito exemplos, principalmente na europa. Você tem acompanhado os trabalhos que tem sido feitos por lá? O que está sendo feito na França e na Espanha é uma maravilha. Os trabalhos deles se encaixam perfeitamente com os antigos mestres da ilustração.


C - Você já viu esses filmes com telas envolventes, dessas que te deixa a sensação de estar no filme?


E - Sim, como se chama?

C - Cento e oitenta graus ou coisa parecida. Já existe uns cinco ou dez, e são incríveis. As poltronas se movimentam e todo mundo se segura nelas. Pois agora chegaram a um ponto que dizem que precisam ter uma história com personagens porque as pessoas já se cansaram de descer rios e de voar de helicóptero.



E - É a história de sempre. Com o cinema acontece a mesma coisa: primeiro nasce um interesse por uma nova tecnologia. Em seguida, quando se cansam da novidade, o público perde o interesse.


C - Agora o que vão fazer é produzir filmes com esse sistema e que te faz sentir no meio da ação. Chegará a um ponto onde vão controlar sua mente, e ao invés de olhar para a tela vão te fazer herói da história assim que você fechar os olhos.



E - É mesmo? Você acha que vamos chegar a esse ponto?

C - Claro que sim, basta descobrir como transferir as informações para o nosso cérebro. Estão investigando muito nesse campo, por exemplo, podem fazer com que alguém que não tenha timpano ouça. Simplesmente utilizam outro nervo.


E - Imagine se passar a um desenhista ruim roteiro de alguém muito bom. O roteiro nos explica, por exemplo, que um homem caminha pela rua, está muito deprimido, desesperado, inclusive pensa seriamente em suicídio. Ele se posiciona na beira de uma ponte, fica ali por um tempo, pensando em pular, mas muda de idéia e vai embora. O roteiro te mostra o texto. Você tem o roteiro na sua mão e vai fazer a página. Em que nível você contribui para a história? Quanto deve participar o desenhista? Como você desenharia se não estivesse em suas mãos? Modificaria o roteiro ou, pelo contrário, é daqueles que vê a sí próprio como uma ferramenta do roteirista para projetar suas idéias?


C - Me comporto igual a um diretor de cinema. Eu decido onde coloco os personagens, para onde olham, se faço um primeiro plano. Igual a um diretor de cinema. Logo me transformo um pouco em ator, se o personagem está desanimado, coloco-lhe uma expressão, emborco sua postura. Igual a você, faço o mesmo.


E - Disse de uma outra maneira, dentro da relação que existe entre o roteirista e desenhista, este último é quem dinamiza a história, não?

C - Mas uma coisa está clara, ainda que tenha o melhor diretor com os melhores atores, se não tem uma boa história... como o filme Annie, era tão ruim que dizem ter afetado negativamente a peça de teatro com o mesmo nome. A peça estava indo muito bem até a estréia do filme, e então começaram a perder público.


E - Geralmente eu prefiro que seja a mesma pessoa que faça o roteiro e os desenhos.Se não é assim, o produto final é um mixto, é dos dois, roteirista e desenhista. Nunca fez as duas coisas? Se o fez, quando o fez, foi para os personagens Marvel?

C - Já te falei antes, fiz isso em três histórias, mas tive que mostrá-las primeiro aos editores para obter o sinal verde.


E - Faz tempo que você não faz quadrinhos. Quando decidiu parar?

C - Minhas últimas aventuras foram produzidas em 72 ou 73 quando estive na DC.

E - Foi como a volta do filho pródigo?

C - Eles gostavam do meu estilo clássico, mas as histórias eram verdadeiras porcarias. Quando um bom desenhista ilustra uma história não muito boa, pode fazer parecer pior do que é.


E - Então não podia mudar a história, mas por que não te deixaram fazer as mudanças?

C - Na verdade é o que tentei, e apesar de me deixarem fazer as mudanças, a história continuava ruim, até que Nelson Bridwell começou a escrever os roteiros. Nelson era um fã do Capitão Marvel mais clássico e fazia bons roteiros. O problema que surgiu foi o dinheiro, pagavam mal, só 65 dólares por página.


E - Pagavam isso pelo desenho e arte-final?



C - E para colocar o texto.

E - Com texto incluído?

C - Eu disse a eles que, levando em conta a inflação e que fazia vinte anos que me pagavam cinquenta dólares por página, eu deveria cobrar cem a cento e vinte dólares por página. Evidentemente me disseram que ninguém cobrava tanto. Mas veja, justamente na semana passada alguém me telefonou e perguntou se eu queria voltar. Eu disse que sim, e que queria quinhentos dólares por página e o controle sobre os roteiros. Parece que eu os assustei um pouco com os quinhentos dólares, mas vem a ser mais ou menos os cinquenta dólares de antes.



E - Bem, agora eu gostaria de entrar nos detalhes sobre as técnicas que existem para criar uma história, dividí-las em partes e o que eu chamo de composição de páginas. Eu gostaria de saber quais são suas idéias a respeito e se tem algum tipo de fórmula, filosofia ou método que valha a pena comentar.


C - Uma coisa básica que eu uso é que não há necessidade de escrever nada que não seja necessário. Igual a um ator que deve limitar-se a fazer o seu papel. É como quando um musical tem que passar algo, então sai a orquestra e o coral e cantam meia hora. A verdade é que eu prefiro os filmes de faroeste e os quadrinhos de Tarzan. Nunca é preciso colocar alguma coisa que não esteja ali.


E - Então você considera os quadrinhos como uma forma de entretenimento. Isso você já disse antes. É assim que você vê os quadrinhos?



C - O que tento é contar uma história ao público da maneira mais simples possível. É como escrever um telegrama, como fazia Mort Walker. É preciso recortar o texto, cada palavra tem que ser pensada, não vale escrever qualquer coisa. Os fundos, eu os reduzo a simbologia. Nos desenhos de Hal Foster, os fundos fazem parte da história. Por exemplo, há um rapaz que vai a um povoado romano, certo, mas se agora mesmo está passando por uma cidade de Nova Jersey não tem porque desenhá-la, porque o que você quer ver é um povoado romano. O melhor será desenhar um rapaz olhando através da janela de um trem. Esse é o problema da maioria dos artistas, que querem mostrar os mínimos detalhes sem levar em consideração que sobrecarregam os desenhos com coisas superfluas. Se quando desenha uma história tem que parar três minutos para pensar o que desenhar, então você perdeu a linha da história.


E - Voltando atrás, então você acha que o papel do desenhista consiste em contar uma história, ou traduzí-las em desenhos?

C - Não acho que o desenhista tenha que expressar suas próprias convicções. É como aquele ator homossexual Charles Laughton, que nunca fez papel de gay em nenhum filme. Quando fazia filmes ninguém podia suspeitar que era uma bicha, sempre se fazia de machão. O Boris Karloff, um verdadeiro cavalheiro inglês, muito refinado, sempre fez papel de mal ou monstro. Ou como aquele ator que fazia o inspetor Clouseau.



E - Ah, me lembro dele, Peter Sellers.


C - Chegou a dizer que não tinha personalidade própria. As personalidades que tinha eram as de seus personagens de ficção.

E - Então para você a função do desenhista é servir o roteirista.


C - Fica melhor como uma extensão do roteirista. Imagine que te encarreguem de desenhar a Bíblia, não se sabe quem a escreveu mas de toda forma tem que contar a história.


E - Espere, voltemos à pergunta anterior, sobre a função ou os usos dessa forma de expressão. Eu tenho falado muito dos quadrinhos como vertente literária, como forma de expressão capaz de tratar de temas mais sérios dos que tratam hoje em dia. O que você acha de tudo isso?


C - Estou de acordo.


E - Acha que podem tratar de temas mais complexos? Digo isso porque antes você disse que estamos no topo e não há mais nada além.


C - Não, o que eu disse antes é que estamos em pleno período barroco, e o significado das obras estão se apagando. No fim tudo morrerá, igual as obras de Benini, seus altares e estátuas. Agora são inúteis. Todas as formas de comunicação e artísticas vem e vão em cíclos. Sempre chega um ponto em que a arte, o caráter do significado, tem que voltar e começar do zero. Tem que voltar a ser um "homem das cavernas" que pinta nas paredes, logo chegarão ao perfeccionismo e mais tarde os que veneram. Depois tudo se reduzirá ao estudo das texturas e não terão nenhum sentido. No ponto em que estamos agora, quando tudo que queremos é ver alguém em uma galeria combinando texturas, já não podemos falar de arte.



E - Então, nessa disciplina comunicativa que são os quadrinhos, não acredita que o desenhista deve trabalhar a técnica e o estilo?

C - Se a história não precisa, não.

E - Então o artista está a serviço da história.


C - Claro, como o roteirista. Ainda que o roteirista quase sempre preencha a história com complicações que o editor acaba descartando.



E - Os desenhistas de hoje tendem todos a fazer histórias repetitivas.

C - Outro defeito das histórias de super-heróis é que não há variedade. Nunca aparece gente jovem drogada, nem prostitutas, ainda que o mundo esteja cheio delas. Nas histórias dos jornais há de tudo, animais falantes, histórias de detetives, enfim, variedade. Por outro lado os quadrinhos continuam sendo esse mundo fechado com homens usando malhas nas mãos dos leitores.



E - E como você vê o futuro? Quero dizer, se você fosse o diretor de uma editora e tivesse que decidir qual linha seguir, por onde você iria?


C - Os editores de hoje em dia nem pensam nisso. Por exemplo, Roy Thomas e Jim Shooter estão tentando retomar o enfoque clássico, e pessoas como Gil Kane estão contentes de trabalhar assim, mas o que acontece é que, segundo dizem na Marvel, os distriobuidores não querem isso.


E - Mantém algum contato com os quadrinhos? Você viu algum, ultimamente?

C - Não leio quadrinhos. Mas compro a Amazing Heroes. E uma ou outra que se chama...

E - As revistas do meio, o Comics Journal. Assim sabe o que está acontecendo.

C - Também leio Overpriced Street Guide (risos), ainda que esta só fale dos clássicos. Também leio a Buyer's Guide, mas só leio a coluna de Cat Yronwode, que costuma falar de quadrinhos. Parece que a coisa está se animando um pouco se compararmos com alguns anos atrás. Até pouco tempo, as histórias eram monótonas, como se saissem de uma linha de montagem.



E - Bem, chegamos ao final da conversa e acho que você deixou claro o seu modo de pensar e o que você já fez. Sem dúvida o seu período no Capitão Marvel tem sido uma enorme influência para os outros porque pertence a chamada "Era Dourada dos Quadrinhos". Para concluir, uma outra pergunta, você está fazendo publicidade?

C - Agora mesmo estou trabalhando numa revista que eu e Bernie McCarty criamos.


E - Sim, S.O.B., não é esse o nome?


C - Entre outras coisas também tenho estado boa parte do ano fazendo um catálogo. No fundo não sou mais do que um ilustrador comercial e o serei sempre.


(Nota do editor: C.C. Beck morreu no dia 22 de novermbro de 1989.)