
JESUITA JOE
De Hugo Pratt
Versão em português
http://www.mediafire.com/download.php?43ttxllmrdxbcz4
Versão em francês
http://www.mediafire.com/download.php?aorfx8izlwmyq86
De Hugo Pratt
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OS CASACAS VERMELHAS
A “Royal Canadian Mounted Police”, a célebre Polícia Montada Canadense, sempre esteve rodeada de um atrativo especial e de uma auréola de lenda pela valentia de seus membros; porque um casaca vermelha “always gets his man” (sempre captura seu homem). Em 1873, com o nome de North West Mounted Police, foi criado este corpo policial para manter a ordem nas imensas regiões do Canadá Norte-Ocidental. Terras em grande parte inexploradas e, como pode se ler em um informe da época, “sem lei, sem ordem e sem segurança para os homens e propriedades”. Naquela época começava a colonização daquela imensa região entre os Grandes Lagos e as Montanhas Rochosas; e o Governo querendo evitar o que aconteceu nos Estados Unidos, onde a expansão dos colonos havia ocasionado numerosos episódios de violência e sangrentas batalhas contra os índios, pensou em criar um corpo paramilitar que mantivesse a ordem nos novos assentamentos, estabelecendo relações amistosas com as tribos indígenas, fazendo desaparecer o contrabando e arrecadando os impostos entre os pioneiros.
Inspirando-se na “Royal Irish Constabulary” (A polícia real irlandesa, criada no início do século XIX para controlar as freqüentes desordens na zona rural da ilha) e as unidades de cavalaria armados de fuzis que o exército nortista havia usado na guerra da Secessão nos EUA, no dia 23 de maio de 1873 o Primeiro Ministro Sir. John A. MacDonald apresentou ao parlamento a ata de constituição da North West Mounted Police. Três meses depois começou o recrutamento dos primeiros trezentos homens. Deveriam ser “pessoas de boa constituição, capazes de montar a cavalo, de corpo ágil e forte, de bom caráter, de idade entre 18 e 40 anos” e “saber ler e escrever francês ou inglês”. Se alistavam por três anos (o soldo base era de 75 centavos ao dia) e no final de seu trabalho teriam direito a um terreno de 160 acres.
A casaca-vermelha do exército britânico foi adotada como uniforme e ainda hoje a usam nos dias de gala. Apesar da enorme extensão do território e seu número reduzido, os casaca-vermelhas ganharam em seguida o temeroso respeito dos meliantes, a simpatia dos índios e a colaboração dos colonos. Seu lema, “Mantiens le Droit”, chegou a ser realidade por todos.
Em 1876, quando os sioux pediram insistentemente aos índios pés pretos que se unissem a eles na guerra contra a cavalaria dos EUA – prometendo depois invadirem o Canadá e expulsarem os casacas-vermelhas e os colonos -, estes recusaram a proposta, afirmando que tinham ótimas relações com os “mounties” e com a Grande Mãe Branca, a Rainha Vitória.
Os casacas-vermelhas aumentaram ainda mais sua reputação durante a construção da Canadian Pacific Railway – iniciada em 1881 -, durante a febre do ouro em Klondike e a repressão da violenta insurreição que em 1885 teve como protagonistas os mestiços franco-canadenses dirigidos por Louis Riel. (Esta insurreição representou um momento de grande tensão política e social no Canadá, porque foi protagonizada por uma minoria étnica, católica e de origem francesa, que buscava sua identidade perdida). O descobrimento do ouro na região de Yukon, em 17 de agosto de 1896, desencadeou uma das “febres do ouro” mais notáveis e os “mounties” se empenharam para manter a ordem nos assentamentos auríferos, literalmente invadidos por milhares de caçadores de ouro, especuladores de terra, comerciantes e aventureiros de todas as classes. Em reconhecimento ao seu magnífico valor em favor do desenvolvimento do Canadá, o Rei Eduardo VII, em 1904, concedeu ao Corpo da Polícia Montada o título de “Real”.
Antes de estourar a Primeira Guerra Mundial (dois esquadrões da cavalaria combateram na França e Sibéria), os “mounties” – que já haviam alcançado o número de 1.268 homens – foram reorganizados a fundo: ficaram livres das funções normais de polícia – exceto no noroeste e no território de Yukon -, e ficaram encarregados da vigilância das fronteiras e de fazerem respeitar as leis federais e apoiar, em caso de necessidade, as autoridades civis. Em 1920 o nome da corporação foi mudado para o nome que mantém atualmente e a Royal Canadian Mounted Police estendeu sua jurisdição a todo o território canadense.
Em 1932, o Preventive Service do escritório de impostos e outras instituições provinciais foram integrados a polícia montada. Cinco anos depois criou-se um destacamento naval, outro de aviação e além de vários laboratórios de investigação científica sobre crimes.
Depois da Segunda Guerra Mundial, os “mounties” também tiveram que enfrentar alguns casos de espionagem, referentes sobretudo a investigações atômicas. Modernizado ao máximo (ainda que entre seus meios de transporte ainda usem trenós puxados por cães), o corpo da polícia montada conta hoje com mais de cinco mil homens e representa a lei federal em todo o país.
Inspirando-se na “Royal Irish Constabulary” (A polícia real irlandesa, criada no início do século XIX para controlar as freqüentes desordens na zona rural da ilha) e as unidades de cavalaria armados de fuzis que o exército nortista havia usado na guerra da Secessão nos EUA, no dia 23 de maio de 1873 o Primeiro Ministro Sir. John A. MacDonald apresentou ao parlamento a ata de constituição da North West Mounted Police. Três meses depois começou o recrutamento dos primeiros trezentos homens. Deveriam ser “pessoas de boa constituição, capazes de montar a cavalo, de corpo ágil e forte, de bom caráter, de idade entre 18 e 40 anos” e “saber ler e escrever francês ou inglês”. Se alistavam por três anos (o soldo base era de 75 centavos ao dia) e no final de seu trabalho teriam direito a um terreno de 160 acres.
A casaca-vermelha do exército britânico foi adotada como uniforme e ainda hoje a usam nos dias de gala. Apesar da enorme extensão do território e seu número reduzido, os casaca-vermelhas ganharam em seguida o temeroso respeito dos meliantes, a simpatia dos índios e a colaboração dos colonos. Seu lema, “Mantiens le Droit”, chegou a ser realidade por todos.
Em 1876, quando os sioux pediram insistentemente aos índios pés pretos que se unissem a eles na guerra contra a cavalaria dos EUA – prometendo depois invadirem o Canadá e expulsarem os casacas-vermelhas e os colonos -, estes recusaram a proposta, afirmando que tinham ótimas relações com os “mounties” e com a Grande Mãe Branca, a Rainha Vitória.
Os casacas-vermelhas aumentaram ainda mais sua reputação durante a construção da Canadian Pacific Railway – iniciada em 1881 -, durante a febre do ouro em Klondike e a repressão da violenta insurreição que em 1885 teve como protagonistas os mestiços franco-canadenses dirigidos por Louis Riel. (Esta insurreição representou um momento de grande tensão política e social no Canadá, porque foi protagonizada por uma minoria étnica, católica e de origem francesa, que buscava sua identidade perdida). O descobrimento do ouro na região de Yukon, em 17 de agosto de 1896, desencadeou uma das “febres do ouro” mais notáveis e os “mounties” se empenharam para manter a ordem nos assentamentos auríferos, literalmente invadidos por milhares de caçadores de ouro, especuladores de terra, comerciantes e aventureiros de todas as classes. Em reconhecimento ao seu magnífico valor em favor do desenvolvimento do Canadá, o Rei Eduardo VII, em 1904, concedeu ao Corpo da Polícia Montada o título de “Real”.
Antes de estourar a Primeira Guerra Mundial (dois esquadrões da cavalaria combateram na França e Sibéria), os “mounties” – que já haviam alcançado o número de 1.268 homens – foram reorganizados a fundo: ficaram livres das funções normais de polícia – exceto no noroeste e no território de Yukon -, e ficaram encarregados da vigilância das fronteiras e de fazerem respeitar as leis federais e apoiar, em caso de necessidade, as autoridades civis. Em 1920 o nome da corporação foi mudado para o nome que mantém atualmente e a Royal Canadian Mounted Police estendeu sua jurisdição a todo o território canadense.
Em 1932, o Preventive Service do escritório de impostos e outras instituições provinciais foram integrados a polícia montada. Cinco anos depois criou-se um destacamento naval, outro de aviação e além de vários laboratórios de investigação científica sobre crimes.
Depois da Segunda Guerra Mundial, os “mounties” também tiveram que enfrentar alguns casos de espionagem, referentes sobretudo a investigações atômicas. Modernizado ao máximo (ainda que entre seus meios de transporte ainda usem trenós puxados por cães), o corpo da polícia montada conta hoje com mais de cinco mil homens e representa a lei federal em todo o país.












