CLASICOS BÉLICOS - VOLUME 2
(em espanhol)
JOHN SEVERIN
O PROFISSIONAL DURADOURO
De todos os artistas que fizeram parte dos quadros da EC, existem os que brilharam em vários gêneros ao mesmo tempo e há os que se especializaram basicamente em um ou dois. Entre essa segunda categoria encontramos John Severin, que durante sua temporada na EC deu o melhor de só no gênero guerra e western... e até no de humor.
Nascido em Jersey City, em 21 de dezembro de 1921, John Powers Severin publicou seus primeiros trabalhos de humor na revista Hobo News entre 1932 e 1936, mas esperou até 1947, depois de sua passagem pelas Forças Armadas, para realizar sua estréia profissional através de uma história policial para um título da editora Crestwood e em resposta a um pedido de Joe Simon e Jack Kirby. Depois colaborou diretamente para a dita editora, onde fez basicamente histórias de western em títulos como Prize Western, para a qual fez Lazo Kid, Black Bull e American Eagle. Este foi, além de tudo, um dos primeiros quadrinhos protagonizados por um índio.
Em 1951 deixou a Crestwood e entrou para a EC, transformando-se em um dos artistas chaves para os dois títulos guerra/aventura coordenadas por Harvey Kurtzman: Two-Fisted Tales e Frontline Combat. Forma dupla com Bill Elder, que arte-finaliza os lápis de Severin em inúmeras histórias de western e de guerra.
O realismo e o cuidado que emprega a cada uma dessas histórias, assim como o domínio das poses de ação, transformam Severin em profissional no gênero. Mas a partir de 1952, quando Kurtzman lança o n° 1 de MAD, Severin entra de vez no estilo humorístico. Forma parte, junto ao próprio Kurtzman, Elder, Jack Davis e Wally Wood da equipe inicial desta célebre revista, ilustrando, entre outras, para seu número 2 uma memorável paródia de Tarzan, MELVIN OF THE APLES, que teve uma seqüência no número 6.
Severin chegou a participar de alguns títulos da linha New Trend antes de seu cancelamento. Em 1955 passou a colaborar com editoras como Charlton, Harvey e especialmente Atlas, na qual participou principalmente em seus títulos de western, mostrando sua sólida experiência nesse gênero. Também voltou ao campo do humor com Craked, um magazine em preto e branco lançado em 1958 pela Major Magazines e que copiava a fórmula da MAD – que havia deixado de ser publicada em cores e passou a usar o mesmo formato – com a qual colaborou por um bom tempo.
Já nos anos 60, quando a Atlas passou a se chamar Marvel, ilustrou inúmeros personagens da casa, incluindo Sgt. Fury – série na qual fez arte-final nos lápis de Jack Kirby e Mike Ayers -, Hulk, Dr. Estranho, Príncipe Submarino, Kull, Conan, etc. Também apareceu nas revistas da Warren: Blazing Combat, Creepy e Eerie. Na DC participou de títulos de guerra como Sgt. Rock e The Loosers.
Em 1988 voltou para a Marvel, onde ilustrou Semper Fi, outra revista de guerra de curta duração.
Mas ao falar de John Severin é inevitável citar sua irmã Marie, uma hábil colorista que se encarregou de dar cor a toda linha da EC e que logo trabalhou para a Marvel e outras editoras. Era também uma boa desenhista.
Hoje em dia, já nonagenário, continua em plena atividade artística. Entre suas realizações contamos com Rawhide Kid. É um dos autores profissionais com a carreira mais duradoura de todos os que fizeram parte da equipe da EC: são quase sete décadas desenhando quadrinhos.