domingo, novembro 13, 2016

SAIU NOS JORNAIS

UM PERNAMBUCANO DE FAMA EUROPÉIA
(Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo em 25 de novembro de 1989)

Wanderley Pontes

Após dois anos dedicados à arte da sobrevivência, Watson Portela, o artista de maior prestígio na HQ nacional, volta à carga com lançamentos no Brasil e na Europa.


O Brasil não possui fama internacional no campo dos quadrinhos, mas nem por isso deixa de ter o seu cult autor: o tímido pernambucano Watson Portela. Apesar de ser um inveterado fã de western, foi com suas histórias de ficção fantástica que ele conquistou sua cativa plateia de admiradores. Vivendo as contradições da produção nacional, Watson atualmente se divide entre o esforço industrial onde perturba a moral e os bons costumes por desenhar saias muito minis para suas sexys heroínas em histórias destinadas ao público infantil, e a exportação de álbuns para o mercado europeu, cada vez mais sedento por suas vamps futuristas armadas até as calcinhas.

Watson, que começou a produzir quadrinhos em seu gênero favorito, o western (o debut ocorreu no gibi amador O Águia), o mesmo que o lançou internacionalmente (sua revista Chet, editada pela Vecchi nos moldes de Tex, acabou sendo publicada no México, França e Espanha), está tendo seus principais trabalhos relançados no Brasil e finalmente publicados no Exterior, depois de quase uma década de pirataria europeia. Volta às livrarias especializadas, num pequeno esquema de distribuição (Devir) típico de cult autor, o álbum Paralelas, ao mesmo tempo em que a antológica série de short stories intitulada Voo Livre começa a ser reproduzida nas páginas de Aventura e Ficção. O próximo Watson conta o resto da história.


CADERNO 2 – Quando você começou a desenhar?

WATSON – Com a participação do Salão Internacional de Humor do Canadá em 1972, acho. Dali, comecei a publicar charges e ilustrações no Diário de Pernambuco, participei do concurso do gibi semanal com a tira 1938 e acabei fazendo A Vida de Napoleão e O Caçador de Esmeraldas, dois álbuns para a Ebal, que estão inéditos até hoje. Mas considero que meu começo mesmo se deu com O Começo, uma história de terror publicada pela Vecchi.

CADERNO 2 – Depois de O Começo, você fez Paralelas, histórias de terror, cangaceiros, capas para as revistas de super-heróis e de repente você sumiu. Por quê?



WATSON – É que nesses dois últimos anos andei sem inspiração. Quando entrei para uma grande empresa, passei a fazer apenas trabalhos que me dessem estabilidade financeira. Dei um tempo. Tomei fôlego. Agora estou com a corda toda. Fiquei hibernando. Mas desenhar Gugu, He-Man e War-Man me ajudou muito. Descobri coisas nos quadrinhos que eu não sabia. Coisas que eu buscava, como dar mais personalidade aos personagens e dominar a narrativa.

CADERNO 2 – Foi a exportação de desenhos para a Europa, pela agência Commu, que despertou a criatividade?

WATSON – Não! Eu me empolguei com umas ideias que tive assistindo ao horário político e com a oportunidade de publicar na Aventura e Ficção. Estou em ótima fase. Cheio de ideias. Fazendo mil ilustrações. Eu me conheço. Quando entro nessa fase ninguém me segura.



CADERNO 2 – O que vem por aí?


WATSON – Acabei de desenhar a capa da Batnave. Estou desenhando agora um novo episódio de Voo Livre para a próxima Aventura e Ficção. Concluí minha quinta história para o álbum Voo Livre 2, encomendado por um editor espanhol. O Voo Livre 1, com histórias já editadas no Brasil, sairá por lá neste fim de ano. O álbum Paralelas, que está sendo relançado aqui agora, também está saindo na Europa. Eu devo começar a desenhar Paralelas 2 no mês que vem, já que tenho um contrato para a Bélgica. Também estou projetando um álbum mais juvenil, o Fred Mirage, que terá a participação de outro desenhista, o Franco de Rosa. Todos os meus próximos trabalhos serão feitos em parcerias. Convidados especiais. Esse próximo Voo Livre tem a Patrícia Medina desenhando os gatos da história.

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário