quinta-feira, dezembro 08, 2016

CCXP 2016


COMIC COM EXPERIENCE-SP 2016
ALEGRIAS E FRUSTRAÇÕES

Ao participar da edição de 2015, eu logo tive uma certeza: estaria presente novamente na edição seguinte, em 2016. E como manda o “manual do escoteiro”, comecei a organizar com antecedência tudo o que era necessário, aquisição de passagens, hotel, ingressos, reserva financeira para novas aquisições e a separação do material que eu levaria para ser autografado.


Durante os próximos 12 meses seguintes, que passaram voando, a alegria era acompanhar a programação e ver as atrações que aconteceriam nos quatro dias do evento. O anúncio da presença de Frank Quitely e Arthur Adams me convenceram de que aquela edição seria ainda melhor que a de 2015. Outros convidados foram sendo anunciados... Risso, Azarello, Simon Bisley, Alan Davis. A euforia começou a tomar conta das minhas emoções.

Seguindo o conselho de alguns amigos, que me disseram que o primeiro dia seria o melhor por ter um número inferior de visitantes, resolvi participar apenas dos dois primeiros dias, já que no ano passado quase morri de cansaço ao frequentar o São Paulo Expo por quatro dias consecutivos.


Chegou então o grande dia. Uma mala com 18 quilos de revistas e uma mochila com mais um tanto (fora as aquisições que pretendia fazer por lá).

Hotel e passagens confirmados, com “check-in” antecipado, para evitar dores de cabeça. Na hora de sair de casa, no começo do dia, a primeira decepção. O taxista conseguiu chegar com um atraso de 20 minutos na minha casa, mesmo usando o GPS. Pra piorar a situação, no meio do trajeto ele ainda parou para abastecer. Chegamos ao aeroporto no limite do tempo e na hora de pagar a corrida, mais um stress, o sujeito alegou não ter troco.

Finalmente embarcados, voo perfeito e chegada no horário determinado. De Guarulhos ao hotel pegamos um trânsito razoável, normal para São Paulo. Demoramos 45 minutos para fazer um trajeto que no ano passado foi feito em menos de 30.


E vamos embora para a CCXP. Metrô de primeira. Rapidinho na estação. O próximo passo foi pegar o ônibus que nos levaria até o São Paulo Expo. Como no ano passado, o transporte oferecido pelos organizadores foi de primeira, ônibus um atrás do outro, praticamente sem tempo de espera. Desde o ano passado eu fiquei impressionado com a qualidade desse serviço, que eu considero perfeito e digno de elogios. O interessante é que ninguém nunca tocou nesse assunto, nem de maneira negativa ou positiva.

Com um espaço muito maior nesta edição e com uma disposição diferenciada do “Artist Alley”, que agora ficaria no centro da exposição, lá estava eu na fila quilométrica para entrar no evento.


Começaram os problemas. O livro exigido para “meia-entrada”, que carreguei com tanto cuidado foi desprezado com um “jogue lá naquele monte”. Percebi que não deram muita atenção para este detalhe do livro e que muita gente não o levou e entraram numa boa.

O erro de centralizar a entrada em um só lugar foi repetido. Um amplo estacionamento é usado como local para aglomerar as pessoas, que aos poucos vão entrando. O problema é que depois essa entrada se afunila em uma estreita passagem com umas seis catracas. Me senti como se estivesse em um semáforo, que quando abre dá a impressão de que os carros não andam, porque dependem da velocidade do primeiro veículo. Seria interessante descentralizar tal entrada, colocando entradas auxiliares em outros pontos do prédio.

Alan Davis

Depois de enfrentar aquela multidão para chegar até as primeiras catracas de entrada, jogar o meu desprezado livro de meia entrada por uma janela, outra surpresa: eu havia esquecido o meu “E-Ticket” (um ingresso de papel) no hotel. Me fizeram sair da fila e procurar, lá atrás, na entrada do prédio, uma pessoa que resolveria meu problema. Localizei uma garota com um saco plástico repleto de E-Tickets. Mal expliquei minha situação para ela e a garota foi logo enfiando a mão no saco e me deu logo DOIS ingressos, sem qualquer questionamento. Até agora eu não entendi o PORQUE da existência desse maldito ingresso de papel, já que existe a credencial com código de barra e demais informações, inclusive com a exigência de documento com foto.


Lá dentro, com espaço de sobra, o tumulto era menor (pelo menos para circular pelos corredores). O grande problema é que as mesas dos artistas (artist alley) ficaram no centro do salão, circundadas por eventos paralelos com caixas acústicas poderosíssimas. O barulho era insuportável. Não dava pra conversar com ninguém se não fosse gritando ou ao “pé da orelha”.

No período em que permaneci no salão, das 13 às 19 horas, consegui apenas 6 autógrafos (Jae Lee, Alan Davis, Simon Bisley, Joe Bennett, Pedro Mauro e Gabriel Andrade Jr.). Só na fila do Simon eu fiquei por mais de uma hora e meia. Ficar na fila não é problema, duro é chegar lá na frente e encontrar um desenhista mal educado, com má vontade e que mal olha na sua cara, como foi o caso do Alan Davis. Jae Lee é um doce de pessoa, sorridente, atencioso e demonstrou boa vontade com todos os fãs. Simon Bisley é doidão, gente boa pacas.


Paul Pope não apareceu no primeiro dia, Frank Quitely, Azarello e Risso eu nem cheguei a ver. Pelo menos tive tempo para visitar alguns stands de editoras e lojas de revistas usadas. No final da tarde eu estava esgotado. Como não existem bancos para se sentar no salão, o jeito foi me sentar no chão mesmo.

Pior situação viveu o meu amigo Paulo Henrique. Focado em adquirir as estátuas com edições limitadas da IRON, ele foi direto para a fila para tentar adquirir a sua tão sonhada versão do Gavião (DC). Ficou na fila do meio-dia às 20 horas e não conseguiu adquirir seu exemplar, ficando apenas com uma do Octopus (Marvel). Não seria mais inteligente distribuir senhas para os interessados? Assim não perderiam tempo ficando na fila o dia todo. Talvez um cadastro antecipado via internet, limitando a aquisição de uma unidade por cada CPF.


Diante de tantos problemas, achei melhor abrir mão do meu segundo dia de visitação. Melhor perder meu ingresso do que perder meu preciso tempo. Tirei o dia para passear com minha esposa por São Paulo. O Paulo Henrique ainda arriscou um segundo dia na CCXP. Estava focado em adquirir sua estátua do Gavião. A decepção foi ainda maior. Chegou mais cedo, enfrentou fila novamente e foi surpreendido com a informação de que naquele dia só seriam vendidas mais 20 unidades, e pela sua posição na fila não sobraria nenhuma para ele. Desistiu. Comprou uma de “especuladores” na internet ao chegar em Goiânia.

Não pretendo voltar mais na CCXP, a não ser que tragam o Brian Bolland ou Mike Zeck, nesse caso, vale o sacrifício. O Paulo Henrique disse que irá prestigiar os “especuladores” e não perder mais seu tempo em filas eternas e gigantescas.


Em 2017 vou fazer uma experiência na FIQ de Belo Horizonte. Tenho certeza de que vou me divertir mais e ter contatos mais tranquilos com meus artistas prediletos. Comic Con é uma boa experiência, mas é traumatizante

2 comentários:

  1. Obrigado pelo relato, achei bem honesto!

    Sempre gostei muito de eventos assim, e antigamente tinha ânimo de ir em vários, como a Anime Friends, mas ultimamente tenho tido vontade alguma.

    Eu que fiquei velho e ranzinza ou os eventos ficaram chatos (culpa do público, talvez) rsrs

    Abraço!

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pelo comentário, Atsuki.

    ResponderExcluir