quinta-feira, fevereiro 23, 2017

LIVRO - DA MATA ATLÂNTICA AO XINGU


Disponibilizo aqui o nosso mais recente trabalho, um livro que me custou 3 prazerosos anos de dedicação. Trata-se da biografia/memórias de um grande amigo que tenho , uma eterna criança de 88 anos (muito bem vividos) e que agora será eternizado com esse registro.

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APRESENTAÇÃO
(por Pedro Geiger)

   O mundo é uma sucessão de acontecimentos formando cadeias, umas originadas das outras. Na sucessão das cadeias da natureza, surgiu a cadeia da vida, seguida da cadeia da vida humana e de suas formas de desenvolvimento social.

   Um destes encadeamentos me faz aparecer, inesperadamente, no meio da produção deste livro, fazendo a apresentação da obra, de um autor que até então eu desconhecia. Escrevo esta apresentação a pedido de um querido amigo meu, amigo de um amigo do autor.

  A palavra cadeia é usada também popularmente para designar a prisão. E as prisões não permitem muita ação aos detentos, conduzem a desconfortos e reflexões. As cadeias dos eventos sociais podem ser produtoras de satisfações, mas, via de regra, elas também, produzem desconfortos e angústias, que levam os homens a procurar alívios. Alívios que podem tomar a forma de mudança de ambiente, como a busca de um meio natural para relaxar, ou de escrever um livro, ou a ambos. As angustias da velhice também conduzem a estas práticas.

   Tratar da questão ambiental, ora em voga na política contemporânea, atende a muitos objetivos da Economia Política, mas representa também uma forma social de aliviar, aliviar das pressões impostas pela corrida tecnológica contemporânea e de seus custos emocionais. Penso serem estes alguns  aspectos do presente livro.

    Depois de muitos anos de vida, que deixaram na memória pesadas atribulações de origem social, o autor, hoje um aposentado do Banco Central, se retorna para a natureza, para os ambientes florestais e fluviais onde passou longa parte de sua vida.   Ambientes  que deixaram  memórias de momentos de contentamento alternados com momentos angustiantes de perigos, e que foram vencidos.  

    O geógrafo francês Jean Luc Piveteau indaga o espaço como o local da memória (PIVETEAU, Jean-Luc, Le territoire est-il um lieu de la memmoire? L´Espace Geographique, 24(2): 113-123, 1995). O trabalho Da Mata Atlântica ao Xingu, de Sergio Barcelar Vahia de Abreu como que vem confirma a hipótese, tratando-se de uma longa seqüência de memórias da vida aventureira do autor, desde os meados do século passado.

   Aventuras em terra, ar e mar, por múltiplas regiões rurais e urbanas brasileiras e no exterior, como o Caribe e a Flórida dos Estados Unidos. O autor entende o dever social de ligar a sua existência singular ao movimento geral de modo a fazer aparecer o conceito de “meio” de forma implícita na sua narrativa. Ele entremeia a estória dos momentos vividos em real com informações sobre os ambientes históricos e geográficos de múltiplas regiões do imenso território brasileiro e do exterior, selvagens, rurais e urbanas.

   O livro se encontra escrito numa linguagem coloquial, onde os pais são chamados de papai e mamãe. Sem maiores pretensões de uma contribuição científica, o leitor se depara com uma espécie de sobrevivente, contando as suas aventuras, dede um longínquo passado, com descrições e imagens de tipos, como os Vilas Boas e os Nutles, heróis do passado, de uma época anterior ao atual populismo, até o presente. O destaque é a prática de ajuste do homem comum aos ambientes e populações que ele encontra.    


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