segunda-feira, setembro 18, 2017

RESENHA



GRAPHIC MSP
CAPITÃO FEIO
“IDENTIDADE”
Magno Costa e Marcelo Costa
(Panini)

Mais uma agradável edição dessa espetacular série sob a responsabilidade do editor Sidney Gusman.

Desde o começo, a série Graphic MSP tem sido sucesso absoluto entre os leitores, provando que nossos artistas tem talento suficiente para concorrer com o que vem de fora, e que é preciso apenas organização e visão comercial de quem prepara tal material, não basta apenas saber escrever e desenhar, é preciso ter administração. Nem é preciso dizer que nestes quesitos (arte/administração) Maurício de Souza já provou que é mestre. Precisamos deixar registrado aqui que Sidney Gusman também merece o reconhecimento pelo sucesso da obra, afinal de contas a ideia da obra e seleção das equipes criativas são de sua responsabilidade.


O mais legal de tudo é poder ler material contemporâneo com personagens que fizeram parte de nossa infância, que alimentaram nossas fantasias. Tais personagens amadureceram nas histórias apresentadas nas Graphic e apresentam histórias com temas mais sérios e adultos, sem perder aquele ar de infantilidade.

CAPITÃO FEIO chega a surpreender quando percebemos que um personagem que poderia ser considerado banal, ao olhar de um adulto, pode ser comparado a qualquer vilão das grandes editoras Marvel/DC, bastando para isso ser retratado em traços mais realistas, o que os irmãos gêmeos Magno e Marcelo Costa fazem muito bem.


Uma coisa gostosa de se fazer ao ler as histórias dessa série é procurar por referências que os artistas sempre adicionam às histórias. Na página 17, por exemplo, quando o Capitão Feio encontra no lixo um exemplar de uma revista do Capitão Pitoco, é fácil notar que o desenho que ilustra a capa da revista foi baseada na edição de Super-Homem número 1, publicada pela Editora Abril. Na página 36, após perder seus poderes ao levar um banho durante uma tempestade, o nosso querido vilão tenta mover com seus poderes uma lata de extrato de tomate Elefante, que tempos atrás foi responsável por alavancar o sucesso do personagem Jotalhão. Maurício de Souza reconheceu a importância do uso de seu personagem na campanha comercial desse produto e o Magno e Marcelo encaixaram muito bem essa homenagem à história. Na página 42, as referências das revistas retratadas na estante (Chiclete com Banana, Heavy Metal e Maus) mostram o bom gosto dos artistas.

Outra sacada incrível foi o personagem todo de branco, Olimpo (O + Limpo), encarregado pelo prefeito da cidade para capturar o vilão (ou seria o herói?). Limpar as mãos com álcool gel foi demais!


Ouvi alguns comentários, em um canal do Youtube, onde o camarada criticava a edição por não se aprofundar na origem do personagem. Eu já penso o contrário, não se pode “entregar” tudo de uma só vez, como foi dito pelos autores na própria edição, nos extras, que eles queriam contar um pouco da origem do Capitão Feio, sem mostrar o ponto exato da sua transformação. Outro comentário desse camarada foi o questionamento de “por que criar criaturas nos esgotos?”. Se você vive sozinho, rejeitado pela sociedade e mora isolado nos esgotos, por que não criar seus próprios amigos? Que venham outras edições e que em cada uma delas os autores nos apresentem um detalhe a mais, atiçando assim a nossa curiosidade.

Maurício de Souza conseguiu criar um personagem único, com características nunca antes imaginadas, nem mesmo por Stan Lee. Agora é torcer para que essas grandes editoras não “chupem” a ideia. E como de costume, depois ainda entrem com uma ação de plágio contra o nosso personagem tupiniquim.

Falando nessa galera gringa, é impossível não lembrar de Jack Kirby ao se ver a criatura criada pelo Capitão Feio com os resíduos do lixão na página 61.

Assim como O Astronauta, o Capitão Feio também tem potencial para outros volumes na série Graphic MSP. Espero que não demore. Nota 10.


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