terça-feira, outubro 10, 2017

DIVULGAÇÃO



MEU AMIGO DAHMER
Derf Backderf
Darkside Books
288 páginas, preto e branco

Será possível identificar os traços de personalidade de um assassino antes mesmo que ele comece a matar? Imagine descobrir que um amigo de escola acabou se transformando num dos mais temidos serial killers do século? Essa é a história real que o quadrinista Deff Backderf relata nesta graphic novel. Além de remexer nos seus velhos cadernos e álbuns de fotografia, Derf consultou seus amigos de adolescência, antigos professores, os arquivos do FBI e a cobertura da mídia após a descoberta dos crimes antes de roteirizar Meu Amigo Dahmer. Muitos tinham histórias do garoto que costumava fingir surtos epilépticos, que exagerava na bebida antes mesmo de ir para a aula e que tinha uma fixação em dissecar os animais atropelados que encontrava perto de sua casa. Mas quem realmente poderia prever os caminhos sombrios pelos quais ele seguiria? Premiada no Festival de Angoulême, França, em 2014, Meu Amigo Dahmer é a primeira HQ da coleção Crime Scene e inaugura a DarkSide Graphic Novel.

Quando tive acesso à edição aqui comentada, confesso que fiquei decepcionado com a qualidade dos desenhos de Derf. Sempre fui um admirador do estilo acadêmico, preferindo desenhos mais realistas, tipo Alex Raymond, Hal Foster e Neal Adams. Descarto logo uma publicação quando o desenho não me agrada.


Um amigo meu, o Paulo Henrique, adquiriu a edição e insistiu para que eu a lesse (juntamente com a edição de “Paciência”, que será a próxima a ser lida e divulgada por aqui). Coincidentemente isto aconteceu no domingo, dia 02 de outubro, justamente no dia em que os noticiários registraram a ação de mais um maluco americano, desta vez em Las Vegas, que abriu fogo contra a multidão que assistia a um show musical naquela cidade.

A história é narrada de maneira agradável. Os desenhos toscos de Derf acabam sendo ideais para as narrativas, um casamento perfeito. Não consigo imaginar nenhum outro desenhista (como traço mais realista) ilustrando a história. Me peguei várias vezes imitando o personagem em seus ataques epilépticos e até comecei a me lembrar de alguns amigos da infância que poderiam ter dado alguns sinais de psicopatia e, acreditem, também tive um.

No final da década de 70 eu morava em uma pequena cidade aqui do interior de Goiás. O acesso era difícil e ficava em um vale entre quatro outras cidades de porte maior. O sinal de televisão era ruim e as crianças tinham que inventar outros passatempos. Foi nessa época que conheci o Salamar (nome fictício), filho de pais separados e que morava com o pai sob rígida educação (e muitas surras). Não podia ficar muito tempo na rua, tarde da noite, nem pensar. Conversava pouco e quando o fazia, era com bastante euforia, “encavalando” as palavras através da fala rápida. Muito humilde, não demonstrava o menor sinal de maldade.

Décadas depois, já na fase adulta e morando na capital, fui surpreendido pelos noticiários quando vi a notícia de um estelionatário que havia sido preso, após o mesmo ter se passado por cirurgião plástico e feito várias vítimas, inclusive com a morte de uma delas. Se passando por médico, o sujeito fez várias cirurgias em mulheres que buscavam ajuda médica para procedimentos estéticos. Nem é preciso dizer que a maioria dos procedimentos realizados pelo falso cirurgião deram errado, uma delas levou a paciente a óbito. O falso médico era o meu amigo Salamar.

O tímido moleque havia se tornado em um manipulador das palavras, convencendo muitas pessoas de que era um excelente profissional, sem nem mesmo ter concluído o Ensino Fundamental. Parece que todos nós temos um amigo maluco.

Voltando à publicação aqui comentada, me surpreendi com a facilidade que tive para ler a edição, fiquei mais satisfeito ainda com o material extra da edição, cheia de informações e que tornam a história ainda mais interessante. Fiquei tão empolgada que fiz até uma maratona no Youtube em busca de material complementar (documentários e entrevistas com o personagem retratado).

Para quem tem dúvidas se deve ou não ler Meu Amigo Dahmer, fica aqui a minha dica: não pensem duas vezes, leiam.

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