quinta-feira, abril 05, 2018

RIP KIRBY - TIRAS DIÁRIAS


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ALEXANDER GILLESPIE RAYMOND, ou Alex Raymond, nasceu no dia 2 de outubro de 1909 em New Rochelle (New York, EUA). Filho de um engenheiro civil, aos 12 anos interrompe seus estudos de arte por causa da morte do pai e vai trabalhar (tinha seis irmãos mais jovens). Em 1929, com o “crack” da bolsa, perde seu emprego em Wall Street. Ingressa no Grand Central School of Art. Começa nos quadrinhos aconselhado pelo desenhista Russ Westover, de quem torna-se assistente na série “Tillie the toiler”. A seguir trabalha como assistente de Chic Young (“Blondie”) e Liman Young (”Tim Tylers Luck”) até 1933. Neste ano vence um concurso para desenhar a série Agente Secreto X-9, escrita por Dashiell Hammet. 1934 é o ano da “explosão” de Raymond: além do Agente Secreto (primeira série que ele assina), lança ainda duas criações totalmente suas: Flash Gordon e Jim das Selvas.



Durante um ano e meio trabalha nas três séries concomitantemente. Então deixa o Agente X-9 e dedica-se às suas séries. Nesse meio tempo, o sucesso principalmente de Flash Gordon, era tanto que já em 1935, o personagem tem programa semanal de rádio e, em 1936, a Universal Pictures produz a série mais cara da época: Flash Gordon no cinema.



Enquanto isso, Raymond também é ilustrador de revistas como Colliers Weekly, Blue Book, Esquire e Look, além de desenhar capas de revistas, de livros, cartazes de cinema e ilustrações de propaganda. Mas um dia decide-se e declara: “Estou sinceramente convencido de que a arte dos quadrinhos é uma forma de arte autônoma. Reflete sua época e a vida em geral com maior realismo, e, graças à sua natureza essencialmente criativa, é artisticamente mais válida do que a mera ilustração. O ilustrador trabalha com máquina fotográfica e modelos; o artista dos quadrinhos começa com uma folha de papel em branco e inventa sozinho uma história inteira – é escritor, diretor de cinema, editor e desenhista ao mesmo tempo”.



Em 1944, convocado pela Marinha, Raymond abandona Flash Gordon e Jim das Selvas, que ficaram a cargo do seu ex-assistente Austin Briggs, e embarca para o Pacífico Sul, como capitão, a bordo do porta-aviões USS Gilbert Islands. Ali testemunha as batalhas de Okinawa e Bornéu. Depois da guerra, o Major Alex Raymond retorna à vida civil cheio de ideias para uma nova HQ. E em 1946 surge “Rip Kirby” (no Brasil “Nick Holmes”), um ex-oficial da Marinha que torna-se detetive particular. Sempre acompanhado do seu fiel mordomo Desmond e eternamente enamorado de sua doce Honey Dorian. Mas é um detetive diferente: sofisticado, intelectual, um verdadeiro criminologista, adepto à ciência e que recorre à força bruta apenas em último caso, coisa raríssima na tradição do gênero. A concepção do personagem deve ser creditada ao editor do King Features Syndicate, Ward Greene, que o sugeriu a Raymond. Em Rip Kirby, Raymond pinta o painel da euforia da alta burguesia nova-iorquina nostálgica da tradição aristocrática europeia. No entanto, por trás das idílicas charretes do Central Park, das mulheres refinadas e dos arranha-céus, transparece a sabedoria humana do escritor na construção psicológica dos personagens: mesmo o bandido mais empedernido tem o seu lado humano, mesmo o grã-fino mais invejável tem a sua fraqueza. Raymond sabe (e às vezes mostra) que o crime é, muitas vezes, uma tentativa individual de superação de um sistema social e econômico excludente. Nas suas histórias vários aristocratas acabam em cana, e vários bandidos se regeneram, embora, caracteristicamente, a condição para a regeneração seja aceitar, tal como é, o “american way of life”. O belo desenho refinado e a grande capacidade narrativa de Raymond fizeram de Rip Kirby um grande sucesso popular, que continuaria pelos próximos dez anos.



A brilhante carreira de Alex Raymond termina tragicamente na Clappboard Hill Road perto de Westport, Connecticut, em um acidente automobilístico no dia 6 de setembro de 1956, mas a imensa carga de conhecimento por trás de cada quadrinhos, a constante busca de novas ideias e experimentos técnicos, o seu desenho preciso e vivo, a maestria e simplicidade na criação gráfica da figura são sempre inspiração para desenhistas do mercado inteiro.



A partir de 1956, a série passou a ser desenhada por John Prentice que, ainda que jamais pudesse se igualar ao mestre, conseguiu manter um nível surpreendente que só decaiu mesmo nos últimos anos, o que garantiu a continuidade da tira. Outro responsável pela manutenção do nível da história foi Fred Dickenson, que desde 1952 começou a escrever os roteiros, embora seu nome seja muito pouco citado.



Quase oito décadas depois, a genial criação de Raymond volta aos leitores através de nossos arquivos digitais, em ordem cronológica, conservando o formato original das tiras e devolvendo o glamour dos anos cinquenta que só o gênio Alex Raymond poderia colocar no papel. A maioria das histórias do personagem que foram publicadas no Brasil foram remontadas no formato de revistas, cortando as tiras e fazendo suas adaptações. Pela primeira vez, o leitor do Brasil poderá apreciar o formato original de TIRAS DIÁRIAS, disponibilizadas aqui em vários volumes, com aventuras completas.



RIP KIRBY faz parte do projeto onde pretendemos resgatar os clássicos das TIRAS DIÁRIAS e PÁGINAS DOMINICAIS de personagens clássicos que fizeram a alegria de antigos leitores, e por que não dizer DOS NOVOS LEITORES que terão acesso ao material. Você poderão acompanhar no HQ POINT as aventuras de Terry e os Piratas, Steve Canyon, Agente Secreto Corrigan (X-9), Johnny Hazard, On Stage, Capitão Easy e muitos outros.


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